Por todo o País, CDU confiante no esclarecimento e mobilização das populações

Habitação, o danoso pacote laboral e os problemas ligados à desertificação do Interior foram os principais temas abordados por Paulo Raimundo nas seis localidades que visitou ao longo dos dias 12 e 13: Porto, Braga, Vila Real, Bragança, Riba d’Ave (Famalicão) e Gondomar.

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Foi no coração da cidade do Porto, para um contacto com os moradores, que se iniciou o périplo realizado pelo Secretário-Geral. O ponto de partida não poderia ser mais emblemático, mesmo junto ao antigo Mercado de São Sebastião, cuja demolição começou este ano, pela Câmara Municipal (CM) do Porto. Enquanto se aguarda o loteamento do espaço, entre a Sé e a estação de São Bento, está prevista a criação de um espaço paisagístico provisório ou um jardim. Enquanto isso, para o mesmo local, a CDU propõe a construção de habitação a custos controlados.

A comitiva da CDU seguiu então pela Rua Escura até à Rua da Bainharia, pelo percurso e entre os vários populares contactados, destacou-se um grande contraste entre edifícios degradados e outros renovados.

Já no final da visita, foi Diana Ferreira, candidata a presidente da CM do Porto, quem primeiro se dirigiu à imprensa: «Fizemos esta visita ao centro histórico do Porto exactamente por ser uma zona que tem profundos contrastes», explicou. «Ao percorrer estas ruas», continuou, «pudemos observar casas que estão absolutamente degradadas, que não estão habitadas, havendo na cidade do Porto quem precise de casa digna, mas com uma proliferação de alojamento local e muita restauração que não tem a tipicidade do Porto». «Em vez de se fazer políticas que garantam o direito à habitação e à cidade, há neste momento uma política direccionada a quem cá vem ocasionalmente», criticou ainda.

Pacote laboral ou pacote patronal?

A proposta de pacote laboral e as consequências para os trabalhadores foi outro dos temas esmiuçados por Paulo Raimundo Em Vila Real e Bragança, assim como em Braga, Riba d’Ave e Gondomar, o Secretário-Geral criticou as diversas manobras de distração que procuram afastar a atenção dos seus principais problemas: a facilitação dos despedimentos, o ataque aos direitos sindicais e ao direito à greve, o agravamento da precariedade e os diversos mecanismos que tornarão mais frágeis as relações laborais, em prejuízo dos trabalhadores.

«Este pacote laboral, a que bem podemos chamar de mais um pacote patronal, quer mais precariedade, como se ela fosse pouca. Quer mais instabilidade na vida de quem trabalha, comprimir ainda mais os salários, mais horas de trabalho e ainda mais desregulação de horários», criticou em Braga o dirigente comunista.

Espaço único de convergência

Também em Braga, após um desfile que percorreu uma das principais ruas da cidade até à Praça da República, Paulo Raimundo falou do grande espaço de convergência que é a CDU: entre os seus milhares de candidatos, 12 mil são independentes, perfazendo cerca de um terço do total. A CDU, recordou ainda, é a única força que concorre a todos os órgãos municipais do território continental e na Região Autónoma da Madeira.

Na mesma linha intervieram Sandra Cardoso e João Baptista, candidatos à assembleia e câmara municipais de Braga. No concelho minhoto, a CDU assegurou a plenitude ao concorrer a todas as suas 37 freguesias. Lá, é aos «casais que não conseguem casa para viver, a quem adquire três passes de transportes públicos, aos jovens que asfixiam sem espaços verdes e culturais ou a quem não encontra vaga numa creche» que a CDU procura responder, explicou João Baptista.

José Manuel Mendes, mandatário, recordou um passado que é «preciso, em absoluto, que não se repita». Algo que «não se faz pela retórica», mas com «acção concreta». «É isso o que significa concorrer a todas as freguesias e estar junto da população», afirmou.

Mais transportes

Em Gondomar, depois de Carlos Moura, candidato à UF de Fânzeres e São Pedro da Cova, enunciar algumas das propostas da CDU para o território, Maria Olinda Moura, candidata à Câmara Municipal, destacou a carência de melhores ligações de transportes ao concelho. Gondomar, explicou, é o único concelho limítrofe do Porto que não tem metro. Apesar de já ter existido, em tempos, um projecto que desse resposta a essa necessidade, os gondomarenses «andam nisto há 15 anos».

No Teatro Narciso Ferreira, Sílvio Sousa (primeiro candidato à CM de Famalicão) recordou o passado de resistência antifascista de Riba d’Ave e salientou que o Rio Ave, elemento colectivo de identificação e memória, não pode continuar a ser tratado como um «depósito de poluição». Miguel Lopes, candidato à Assembleia de Freguesia de Riba d’Ave que liderou o mesmo executivo entre 1990 e 2002, afirmou a vila pode voltar ao «lugar que merece», um sítio «dinâmico, próspero e com qualidade de vida».

 

Interior não pode ficar para trás

Em Vila Real e em Bragança, a par de todos os problemas de âmbito nacional (que também nestes territórios se fazem sentir, como as dificuldades no acesso à habitação ou aos serviços públicos), foi a desertificação de que sofrem o Interior e as suas gentes que ocupou muita da atenção dos intervenientes.

Em contacto com lojistas na Rua Direita de Vila Real, Paulo Raimundo observou que o espaço percorrido é um espelho da realidade do País: «preso por arames» e «inclinado para o mar». Ideia que voltou a surgir, mais tarde, em Bragança, num jantar com apoiantes da CDU.

«Neste distrito ninguém é “coitadinho” nem inferior aos outros. Cá se está, se vive e trabalha como em todos os outros sítios. Gente que precisa e tem direito aos mesmos direitos e às mesmas condições», salientou Paulo Raimundo. «Ou se afunda ou se resgata o País e nós estamos aqui para o salvar e repor a igualdade no território nacional», garantiu. O dirigente comunista considerou não ser indiferente para as populações a expressão eleitoral que a CDU venha a conquistar no próximo dia 12.

Com o Secretário-Geral, em Vila Real, esteve Ricardo Almeida, candidato à Assembleia Municipal (AM). Em Bragança intervieram José Castro e António Morais, candidatos à AM e CM, respectivamente.

 

 

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