PC dos EUA rejeita violência política e alerta para ataques contra a esquerda
Os comunistas norte-americanos rejeitam a violência política que flagela os EUA e denunciam a extrema-direita em torno de Donald Trump de pretender aproveitar o assassinato de um activista seu apoiante para atacar as forças de esquerda e os movimentos sociais.
«Actos de violência e terror só servem os interesses das forças do ódio, do racismo, da intolerância e da reacção»
Num comunicado do dia 11, os comunistas norte-americanos consideram que «o ciclo de violência política que assola os EUA agravou-se com o assassinato do nacionalista cristão de extema-direita Charlie Kirk, em Utah», ocorrido na véspera, e reiteram que o partido «rejeita tal violência». Segundo o Partido Comunista dos EUA (PCEUA), «o movimento MAGA, incluindo Trump, culpou a “esquerda radical” pelo assassinato de Kirk, rotulando a política de esquerda como uma ameaça à segurança nacional e pedindo repressão e até mesmo guerra».
No entanto, adianta o texto, «mesmo segundo as autoridades policiais da classe dominante, a principal fonte de violência política no nosso país é a direita radical». E dá os exemplos dos «milhares de insurrectos» cujo ataque ao Capitólio foi perdoado pela Casa Branca ou do assassinato, há poucas semanas, da deputada estadual de Minnesota Melissa Hortman e do seu marido. Para os comunistas dos EUA, «a completa hipocrisia do MAGA parece não ter fim e a sua recusa em abordar o uso de armas de guerra nas ruas» é um exemplo disso.
Para o PCEUA, «os movimentos da classe trabalhadora e democráticos sabem muito bem», pela sua longa experiência, «que actos de violência e terror só servem os interesses das forças do ódio, do racismo, da intolerância e da reacção». Mais: «a violência política contra pessoas, incluindo tiroteios em massa, não serve nenhum propósito útil» e os comunistas condenam-na.
Os comunistas norte-americanos defendem que «somente uma mudança sistémica trará a sociedade» por que lutam, reiteram que «essa mudança deve vir por meio de uma luta de massas não violenta e pacífica» e reafirmam o compromisso do PCEUA com tal propósito, de que não se afastará.
Combater o fascismo e conseguir a mudança
O facto de não haver na altura nenhum suspeito detido, nem qualquer confirmação do motivo do crime, não impediu Donald Trump de usar, na quarta-feira, 10, à noite, o assassinato horas antes do activista Charlie Kirk como pretexto para declarar guerra à esquerda política nos EUA.
Kirk, uma personalidade mediática de extrema-direita, foi morto a tiro numa universidade de Utah, quando participava num debate com estudantes.
A partir da Casa Branca, Trump qualificou Kirk como um «mártir» e afirmou que a «esquerda radical» foi responsável pela sua morte. Durante anos, disse, «a esquerda radical comparou norte-americanos maravilhosos como Charlie com nazis». Acrescentou que «a violência e o assassinato são a trágica consequência de demonizar quem discorda» e repetiu que «a esquerda» foi «directamente responsável pelo terrorismo» ocorrido em Utah.
Desde então, seguidores de Trump têm repetido que «a esquerda é uma ameaça à segurança nacional» e instam o presidente a «encerrar, parar de financiar e processar todas as organizações de esquerda».
Trump indicou que poderia fazer precisamente isso, confirmando a sua intenção de usar o assassinato de Kirk como justificação para passar à ofensiva contra quem o desafie. Comprometeu-se a enviar forças policiais para «encontrar todos e cada um dos que contribuíram para esta atrocidade (…) incluindo as organizações que a financiam e a apoiam».
Os EUA, avaliam observadores norte-americanos, entram assim num período de crescente perigo, com a democracia e as liberdades constitucionais na mira.
O jornal People’s World escreve que, ao longo da história, os governos de extrema-direita e fascistas aproveitaram regularmente episódios de violência política e terrorismo (reais ou inventados) como pretexto para a repressão, para silenciar o dissenso e destruir os direitos constitucionais. Agora, a administração Trump e o movimento MAGA dão sinais de que poderiam estar a tentar seguir a mesma estratégia.
Por isso, alerta o jornal, é hora de condenar os actos de terrorismo e violência individuais, assim como de mobilizar-se para defender as liberdades democráticas. «A luta colectiva de massas e a ampla unidade são ferramentas provadas pelo tempo para combater o fascismo e conseguir a mudança», salienta.
Protestos contra «ocupação» de Washington e outras cidades
Cerca de 10 mil pessoas protestaram, no dia 6, no centro de Washington, contra o envio pelo presidente Trump de forças federais e da Guarda Nacional para a capital e exigiram a retirada dessas tropas instaladas no Capitólio da nação.
Uma grande tarja vermelha exigindo «Terminar com a ocupação de DC» (Distrito de Columbia, onde se situa a capital) encabeçava o desfile, em que muitos manifestantes empunhavam cartazes afirmando que «Todos somos DC». Os oradores na manifestação alertaram para o facto de o presidente republicano poder estender a outras cidades do país uma «ocupação» militar semelhante à que ocorre na capital.
Ao mesmo tempo, em Chicago, milhares de residentes encheram as ruas, manifestando-se em aberto desafio às ameaças de lhes declarar guerra feitas por Trump. Nas redes sociais, escreveu que «Chicago está a ponto de descobrir o que é receber a visita do Departamento de Guerra», como agora chama ao Departamento de Defesa (Pentágono).
A resistência popular que se manifesta em Washington e Chicago, apoiada por sindicatos e outras organizações, cresce em todo o país. Na capital, um cartaz empunhado por um manifestante, dizia: «A democracia não está nas mãos dos poderosos, mas nas pessoas que se atrevem a fazer ouvir! Congresso republicano, detenha tudo isto! Que vergonha!» Um outro cartaz, escrito à mão, dizia: «Não à ocupação! Não aos sequestros! Não às deportações! Nunca mais!»
Além dos desfiles e manifestações nas ruas, estão previstas para Setembro outras acções como greves estudantis.
O presidente Trump declarou o «estado de emergência» em DC, usando o pretexto do «aumento do crime», há quase um mês, para tomar o controlo da Guarda Nacional de DC e tratar de federalizar a força policial e importar agentes do ICE (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) para «forçar, arrastar, golpear, sequestrar e deportar imigrantes». Anteriormente, «invadiu» o centro de Los Angeles e 300 fuzileiros navais continuam ali, protegendo os agentes do ICE, que agridem e aterrorizam os residentes. Chicago é o seu próximo objectivo.




