- Nº 2703 (2025/09/18)
«A Lone Star deverá distribuir prémios de 1,1 mil milhões de euros pelos gestores envolvidos no negócio do Novo Banco, um terço do apoio público dado pelo Fundo de Resolução.» É assim que começa a notícia na qual o Público dá nota do esquema de distribuição de “prémios de gestão” montado pela Lone Star no processo de venda do NB aos franceses do BPCE.
Confesso que o valor astronómico a distribuir entre administradores do Novo Banco e da Lone Star me surpreendeu. O PCP já tinha denunciado o crime económico que constituiu todo o processo que envolveu a resolução do BES, a criação do Novo Banco, a sua entrega à Lone Star (ficando o Estado responsável por todo o risco da operação) e a venda anunciada neste verão do NB aos franceses do BPCE. Ao todo foram consumidos, em termos líquidos, pelo menos 6,5 mil milhões de euros de recursos públicos, o que constituiu seguramente o maior rombo provocado por um só processo de corrupção e gestão danosa da banca privada (se somarmos o conjunto de bancos privados objecto de intervenção pública desde 2008 os valores seriam superiores a 16 mil milhões de euros). Mas desconhecíamos qual o valor do saque que ficou no bolso dos operacionais do assalto.
Segundo o Público, John Grayken, o fundador do Lone Star e presidente não executivo, arrecadará só ele cerca de metade dos 1100 milhões de euros. O restante será dividido pela cúpula da Lone Star, e de forma mais modesta, pelos administradores – incluindo portugueses – do NB. Haverá ainda milhares de milhões de euros de dividendos que serão distribuídos aos accionistas da Lone Star no final do exercício. Um escândalo!
Mas a divulgação desta notícia não teve a repercussão que se exigia. Nenhum outro órgão de comunicação social lhe pegou e não consta que, com excepção do PCP, mais alguma força política se tenha importunado com tal. Diga-se que a proposta que o PCP apresentou para travar a venda do Novo Banco (na qual o Estado detém 25% do capital) teve no mês de Julho o voto contra de PSD, Chega, IL e PS e até o Livre se absteve invocando que, ao contrário da privatização, o controlo público do NB «não é uma prioridade». Mas o conluio destas forças políticas com este crime económico e o silêncio da generalidade de uma comunicação social cada vez encaixada na agenda reaccionária, não apagam o acto de pirataria a que, em pleno século XXI, o nosso País foi sujeito e que vamos continuar a denunciar.