Cuba exige na ONU fim do bloqueio

Perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Cuba vai denunciar uma vez mais, nos próximos dias, o criminoso bloqueio imposto pelos EUA. O governo cubano apresentará dados sobre as consequências provocadas pelo infame e desumano cerco económico, comercial e financeiro sobre o povo cubano.

Alargar em Portugal a exigência do fim do criminoso bloqueio imposto pelos EUA a Cuba

Os prejuízos causados pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba aumentaram no último ano em 7.556 milhões de dólares, denunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez. Falando em Havana, no dia 17, perante o corpo diplomático e representantes da comunicação social, apresentou um relatório actualizado, de Março de 2024 a Fevereiro de 2025, sobre as consequências do bloqueio, informando que os prejuízos aumentaram 49%, face a igual período anterior, e denunciando o incalculável sofrimento que o bloqueio causa ao povo cubano.

«Não é possível expressar em números, em cifras, o dano emocional, a angústia, o sofrimento e as privações que o bloqueio gera na família cubana. Assim foi durante várias gerações – mais de 80% dos cubanos nasceram depois do começo do bloqueio», salientou o governante cubano.

Bruno Rodríguez apresentou igualmente o projecto de resolução intitulado “Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA contra Cuba”, que será posto à apreciação da Assembleia Geral das Nações Unidas, nos próximos dias 28 e 29, em Nova Iorque.

O governante cubano denunciou que, às medidas norte-americanas com vista a asfixiar a economia de Cuba, se juntam os efeitos da política migratória dos EUA, que incrementa os fluxos migratórios a partir de Cuba, estimando-se que tal política causou ao país perdas de trabalhadores qualificados e força de trabalho.

Avultados prejuízos acumulados

Bruno Rodríguez informou que o prejuízo acumulado ao longo destas mais de seis décadas do bloqueio imposto pelos EUA a Cuba quantifica-se em 170.677 milhões de dólares, que «ao valor do ouro, para evitar as flutuações do dólar do Banco Central, é equivalente a dois milhões e 103 mil milhões de dólares».

«O que poderia ter feito Cuba, além do muito e bom que se fez nestes 60 anos, com essa cifra exorbitante para uma economia pequena como a nossa?», questionou-se. «É um número extraordinário para qualquer economia do mundo, não só para um país insular e em desenvolvimento como o nosso. Se não houvesse bloqueio, no ano passado o Produto Interno Bruto de Cuba teria aumentado 9,2%, um dos crescimentos mais altos do hemisfério», destacou.

O responsável cubano denunciou que o bloqueio constitui o principal obstáculo à obtenção de equipamento, peças sobresselentes e consumíveis por parte do serviço de saúde cubano, com expressão directa na deterioração de vários indicadores.

Acrescentou que os EUA continuam a perseguir a cooperação médica internacional cubana, com o objectivo de privar Cuba de interesses legítimos sustentados em modelos de cooperação Sul-Sul e das Nações Unidas e que, como regra, não implica rendimentos para o país caribenho, sendo uma cooperação solidária com famílias de baixos recursos em lugares remotos do mundo.

 



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