- Nº 2704 (2025/09/25)

É possível conter prejuízos provocados pelos incêndios

PCP

Paulo Raimundo visitou, no dia 18, a freguesia de Nespereira, em Cinfães, local também atingido de forma particular pelos incêndios deste Verão. No contacto com os moradores e vítimas, o Secretário-Geral afirmou ainda haver muito a fazer para conter o drama dos fogos.


Volvidos quase dois meses, os efeitos dos fogos que lavraram em Nespereira durante Julho são ainda bem visíveis. No centro da freguesia, apesar de alguns sinais de revitalização da flora mais rasteira, é ainda desmesurado o rasto de destruição deixado pelas chamas. Em alguns locais é igualmente nítido o cheiro a cinza e a queimado. Foi este o cenário observado pelo Secretário-Geral do PCP durante o contacto que realizou com os nespereirenses, antes de uma tribuna pública que se realizou no centro da localidade.

«Foi um grande susto», concordaram alguns dos populares quando indagados por Paulo Raimundo sobre os «momentos de aperto» que ali se viveram. Depois de escutadas diversas histórias que evidenciaram a entreajuda dos vizinhos no combate às chamas e algumas queixas sobre a falta de coordenação dos meios de combate, o Secretário-Geral comunista expressou uma certeza: não é possível evitar os fogos por completo, mas há muito a fazer para diminuir os seus impactos.

Muito por fazer

«Não é nada fácil viver no Interior», observou um dos participantes questionando sobre que tipo de apoios e medidas iria propor o PCP na Assembleia da República para menorizar os impactos dos fogos que todos os anos, de forma mais ou menos intensa, atingem aquela população. Surgiram ainda outras questões relacionadas com o ordenamento do território e da floresta e com a proliferação desenfreada de eucaliptos, sem que exista qualquer «intermediação com outras espécies que salvaguardam e protejam a floresta».

«Quem aqui vier, se deparar com esta imagem desoladora e prometer que vai acabar com os incêndios, ou está iludido ou está a mentir», afirmou o Secretário-Geral no encerramento da tribuna. «Não é possível evitar os incêndios», lamentou, mas é possível «apostar mais na sua prevenção, em mais ordenamento do território e apostar mais nos meios que aqueles que combatem os incêndios têm ao seu dispor, desde logo os bombeiros».

O Secretário-Geral sublinhou ainda a questão da coordenação dos meios de combate às chamas, revelando que essa foi uma das questões levantadas pelos populares, tanto ali como em Ponte da Barca e noutros locais já visitados.

Salvar o Interior

Paulo Raimundo firmou o compromisso de ali voltar com um propósito mais positivo que o dos incêndios: «cá voltarei, não sobre este assunto, mas sobre a vivência desta população, sobre o gosto que têm em cá viver, apesar de todas as adversidades». «Desta gente que», continuou, «não se resigna e tem razão quando acha que Portugal não deve ser um País inclinado para o litoral». De acordo com o Secretário-Geral, os portugueses não precisam de um «País afundado», mas sim de um «território igual e tratado de forma igual». Para atacar esse problema são precisos «meios» e investimento, garantiu.

«Aqui fica o compromisso de cá voltar, não tanto para me cruzar com a imagem desoladora que observei na vinda para cá, mas para afirmar as características desta gente que teima, e bem, em não deixar as suas terras morrerem», acrescentou.

Com Paulo Raimundo estiveram Octávio Augusto, da Comissão Política, e Filipe Costa, do Comité Central.

Na Covilhã

No final do mesmo dia, o Secretário-Geral do PCP participou ainda numa acção de contactos no Festival da Cherovia, na Covilhã. No final, já no Centro de Trabalho do Partido na cidade, dirigiu algumas palavras aos apoiantes da CDU presentes.

O dirigente esteve, igualmente, junto dos Bombeiros Voluntários da Covilhã, endereçando-lhes as suas condolências e a sua mais fraterna saudação.

 

PEV visita zonas afectadas

Também o Partido Ecologista “Os Verdes”, aliado do PCP e da ID na CDU, visitou, no dia 13, diversas zonas afectadas pelos incêndios deste Verão, afirmando que, à parte da desolação das áreas ardidas, da perda de bens materiais e de vidas humanas, é urgente «contabilizar o impacto na biodiversidade do País, já de si demasiado fragilizada».

Na Serra da Lousã, em Vila Nova de Poiares e na Sertã, houve igualmente ocasião para reuniões e encontros com a Milvoz (Associação de Protecção e Conservação da Natureza), a Liga para a Protecção da Natureza e com o Movimento de Acção Ecológica.

Das visitas e encontros, o PEV manifestou cinco conclusões, entre elas a urgente necessidade de reduzir a área de eucalipto e de infestantes com elevado potencial inflamável e o reforço do corpo de guardas florestais e vigilantes da natureza e a valorização das suas carreiras.