Campanha pela Palestina prossegue dia 18 com manifestação e concerto em Lisboa

Mais de 80 organizações, de variadas áreas de intervenção, já se juntaram à campanha de solidariedade com o povo palestiniano “Todos pela Palestina! Fim ao genocídio! Fim à ocupação”, lançada por CPPC, CGTP-IN, MPPM e Projecto Ruído, que se prolonga até 29 de Novembro.

A campanha exige a criação do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a 1967

O arranque foi dado no dia 16 de Setembro, com uma concentração em Lisboa e uma iniciativa pública no Porto, onde se deu expressão às reivindicações da campanha: cessar-fogo real, imediato e permanente; fim do genocídio e dos massacres; acesso irrestrito da ajuda humanitária sob a coordenação da ONU; condenação, pelo Governo português, do genocídio e reconhecimento do Estado da Palestina sem condicionalismos (o que não veio a suceder, pois o reconhecimento impõe de facto condições); suspensão das relações de âmbito militar entre Portugal e IsraeI e esforços para a suspensão imediata do acordo de Associação UE/Israel.

A estas questões urgentes somam-se outras, decisivas e de fundo: a retirada de Israel da Faixa de Gaza e de todos os territórios palestinianos ocupados em 1967, a criação do Estado da Palestina com as fronteiras anteriores a junho de 1967 e capital em Jerusalém Oriental, o cumprimento do direito ao retorno dos refugiados palestinianos, como determina o direito internacional, e o fim da agressão israelita a outros países no Médio Oriente e à ocupação dos seus territórios.

Àquelas duas acções seguiram-se outras, com os mesmos objectivos: em Ermesinde e Espinho esteve patente a exposição “Gaza: mar de memórias e luto”; em Viana do Castelo foi concebido um tradicional (e belíssimo) tapete de sal; em Setúbal foi exibido o filme “An Orange from Jaffa”, do realizador Mohammed Almughanni, à qual se seguiu uma conversa com representantes de organizações promotoras da campanha; e na Nazaré uma vigília celebrou a aprovação pelo município de uma moção de solidariedade com a Palestina.

18 de Outubro em Lisboa

Para dia 18 de Outubro, em Lisboa, está marcado para as 16 horas um Concerto pela Paz e de Solidariedade com a Palestina. Participam no concerto, no Fórum Lisboa (Avenida de Roma), Prétu, Boémia, Freddy Locks, ÚDI e Handala Dabke. A apresentação é de Joana Figueira. Uma hora antes inicia-se uma manifestação com partida da Praça do Areeiro até ao local do Concerto.

Na véspera, 17, às 21h30, a Sala D. Afonso Henriques do Convento de São Francisco, em Coimbra, acolhe outro Concerto pela Paz, com a Cooperativa Bonifrates – Guilherme Ala e João Freitas, o Coro do Ateneu de Coimbra, Dixie Gringos – Jazz Band e Grupo Corrente. Os bilhetes gratuitos podem ser levantados no Convento São Francisco a partir de dia 15, diariamente entre as 15h00 e as 20h00. No próximo fim-de-semana, em Almada, será pintado um mural colectivo na rotunda da Alameda Guerra Junqueiro, a partir das 14 horas.

 

A urgência de salvaguardar a paz debatida em Lisboa

O major-general Agostinho Costa, a dirigente do CPPC Isabel Camarinha e o presidente da Casa do Alentejo Manuel Verdugo lançaram o debate “A urgência da luta pela paz na actualidade”, promovido no passado dia 24 pelas duas entidades e realizado num dos salões da histórica casa lisboeta. A assistência, interessada, não se limitou a seguir atentamente as intervenções, antes contribuiu para o debate e questionou os oradores. E não era caso para menos, dada a relevância do que ali esteve em discussão.

Como salientou Isabel Camarinha, a «gravidade da situação e os perigos que encerra diz-nos que é fundamental ampliar a convergência de vontades e acção em defesa da paz, da cooperação e da solidariedade». Adiantou, depois, algumas das iniciativas promovidas pelo CPPC que constroem efectivamente o desejado alargamento, como as campanhas de solidariedade com Cuba e Palestina actualmente em curso, o IV Encontro pela Paz realizado no Seixal a 31 de Maio e a grande manifestação de 18 de Janeiro, contra o militarismo e a guerra, envolvendo milhares de pessoas e uma centena de organizações.

Ao contrário do Governo e dos partidos comprometidos com a submissão aos EUA, à NATO e à UE, o CPPC continuará a esclarecer e mobilizar contra a decisão de aumentar ainda este ano para dois por cento do PIB com a “chamada Defesa”, e o compromisso de amarrar o País com a meta dos cinco por cento.

Mobilização face à crise

«Estamos perante uma crise global de segurança, com risco de uma confrontação directa entre potências nucleares», salientou Agostinho Costa, considerando plenamente justificada a mobilização em defesa da paz e a realização daquela iniciativa. O major-general acusou as actuais lideranças da União Europeia de conduzirem os povos para uma guerra que nunca poderão vencer, sublinhando que os EUA já alcançaram um dos dois objectivos que tinham para o conflito do Leste da Europa: se é certo que não derrotaram a Rússia (o que, acredita, não é possível), já subjugaram o continente europeu e a UE.

A conquista da paz, acrescentou, «passa naturalmente por um ajustamento na ordem internacional, pela transição de um sistema internacional unipolar, hegemónico, injusto e perverso – assente nas regras definidas por Washington e impostas ao mundo sob ameaça de sanções económicas, fomento de revoluções coloridas ou intervenções militares directas – para um mundo multilateral onde prevaleça a harmonia entre Estados, o respeito por sistemas políticos, culturas e especificidades, à luz da carta das Nações Unidas e do direito internacional». Ora, afirmou, «este ajustamento está em curso».

Denunciando que, hoje, as percepções tendem a sobrepor-se à realidade, Agostinho Costa deu o exemplo do tão falado artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte e da falsa ideia de que o ataque a um dos membros da NATO implica automaticamente o auxílio militar dos demais. Trata-se de uma «ambiguidade premeditadamente alimentada», garante, pois o que o referido artigo consagra é a obrigatoriedade de avaliação sobre o tipo de apoio a disponibilizar – e que pode ser a declaração de guerra ou «absolutamente nada». «No dia em que o artigo 5.º tiver mesmo de ser invocado, muito provavelmente a NATO acabará», acredita.

A verdadeira ameaça

Manuel Verdugo manifestou a abertura da Casa do Alentejo para acções em defesa da paz e de solidariedade com os povos – «está nos nossos Estatutos», lembrou – e mostrou um quadro oferecido à instituição pela representação diplomática da Palestina em Portugal, precisamente pelo apoio que sempre prestou. Em seguida, enumerou um vasto conjunto de agressões militares norte-americanas em vários pontos do mundo, desde o início do século XX até aos nossos dias, demonstrando onde está a verdadeira ameaça à paz e à segurança.

 



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