No 55.º aniversário da CGTP-IN: indestrutível compromisso com as classes trabalhadoras

Armando Farias

A CGTP-IN constitui uma realidade e uma experiência ímpar à escala internacional


A CGTP – Intersindical Nacional assinalou o seu 55.º aniversário no dia 1 de Outubro, uma data significativa para a Central, os dirigentes, delegados sindicais e activistas e, principalmente, para os trabalhadores e a sua luta pelo emprego com direitos, melhores salários e condições dignas de vida e de trabalho.

A data da fundação da Intersindical, em 1 de Outubro de 1970, corresponde ao dia em que alguns sindicatos, já tomados por direcções sindicais unitárias1, dirigiram a outros sindicatos uma convocatória para uma reunião Inter-sindical com o objectivo de debater problemas comuns.

Da ordem de trabalhos para essa reunião, que veio a realizar-se em 11 de Outubro2, constavam os seguintes pontos: 1. Análise e estudo do Decreto-Lei nº 49212, nomeadamente no que se refere à arbitragem, intervenção do Fundo de Desenvolvimento de Mão-de-Obra e homologação de convenções colectivas de trabalho; 2. Horários de trabalho; 3. Censura; 4. Liberdade de reunião.

A inclusão na convocatória de temas estritamente laborais a par com questões da censura e da liberdade de reunião, indica o contexto político, económico e social existente àquela época. Por um lado, evidencia o agravamento da situação económica, consequência da crise do capitalismo e das funestas guerras coloniais que atingiu severamente as condições de vida das classes trabalhadoras e contribuiu para o progressivo apodrecimento do regime.

Por outro lado, mostra que a resposta do movimento operário no plano da organização sindical anticorporativa, elegendo para os sindicatos direcções unitárias da confiança dos trabalhadores3, e definição clara de uma forte mobilização orientada para o desenvolvimento da luta reivindicativa nos locais de trabalho, onde se constituíram comissões de unidade, foi o elemento determinante que despoletou o ascenso das lutas contra a exploração, possibilitou alargar a convergência com sectores diversos da oposição antifascista contra as políticas antidemocráticas e as medidas repressivas do regime e, consequentemente, o elemento também decisivo para agudizar as contradições na classe dominante e enfraquecer politicamente o regime fascista.

No trabalho para a unidade, organização e luta dos trabalhadores, nas duras condições da repressão fascista, foi essencial: um firme combate às influências anarquizantes e às correntes reformistas e oportunistas que predominaram no movimento operário e sindical nas primeiras décadas do século passado; a afirmação do marxismo-leninismo como ideologia indispensável ao movimento operário organizado, colocando o movimento dos trabalhadores no verdadeiro terreno da luta de classes e a luta de massas como motor das grandes transformações sociais; a convergência com outras componentes sociais progressistas com influência no movimento operário, intervenção no interior dos sindicatos fascistas, elegendo direcções unitárias da confiança dos trabalhadores e ligando-os às massas.

Das raízes à actualidade: a consolidação de uma força imensa e poderosa
A criação da Intersindical marcou o início de uma nova fase no longo processo de formação e desenvolvimento do movimento operário e sindical em Portugal, abrindo caminho à intensificação da luta, rumo à Revolução de Abril.

Em 25 de Abril de 1974, a Intersindical deu um contributo determinante no levantamento popular que se seguiu ao levantamento militar e foi uma força motora da Revolução. Actualmente, a CGTP-IN, constitui uma realidade e uma experiência ímpar à escala internacional. É património do movimento operário português e de todos os trabalhadores, com uma intervenção de sindicalistas comunistas, católicos, socialistas, entre muitos outros, cuja acção em unidade e com o compromisso de defesa dos interesses de classe dos trabalhadores é essencial. É na fidelidade aos seus princípios e valores, à sua natureza de classe, de massas, unitária, democrática e independente que reside a raiz da força, influência e prestígio da CGTP-IN.

Acabar com a exploração é a luta do nosso tempo!
Unir os trabalhadores. Derrotar o pacote laboral
Comemorar o aniversário da CGTP-IN é honrar a sua história, as suas raízes e o seu percurso de luta e resistência ao fascismo, na instauração e consolidação da Revolução de Abril e na luta diária pelo desenvolvimento progresso social, pela defesa do regime democrático. É honrar a memória de homens e mulheres, entre os quais milhares de comunistas, que assumiram o nobre e indestrutível compromisso com as classes trabalhadoras.

Hoje, como ontem, é preciso unidade na acção para desenvolver a luta reivindicativa e combater e derrotar o pacote laboral do Governo, uma autêntica declaração de guerra aos trabalhadores, para fortalecer a organização sindical, para libertar a força imensa dos trabalhadores elemento decisivo de resistência, transformação e avanço.

 

1Convocaram a reunião Inter-sindical quatro sindicatos: Sindicato Nacional dos Profissionais de Propaganda Médica; Sindicato Nacional dos Caixeiros do Distrito de Lisboa; Sindicato Nacional dos Empregados Bancários do Distrito de Lisboa; Sindicato Nacional do Pessoal da Indústria de Lanifícios do Distrito de Lisboa.

2Reunião efectuada na sede do Sindicato Nacional dos Empregados Bancários do Distrito de Lisboa.

3O movimento sindical anticorporativo foi sustentado, principalmente, por militantes comunistas, católicos progressistas e outros democratas oriundos dos círculos da oposição ao regime fascista. O primeiro Congresso do PCP na clandestinidade, em 1943 (o seu III Congresso), adoptou as teses contidas no relatório de Álvaro Cunhal sobre a necessidade da adequação da organização, intervenção e da luta da classe operária e dos trabalhadores às condições impostas pelo regime fascista. Uma mudança na orientação que se traduziu no abandono do desenvolvimento de sindicatos clandestinos para uma decidida intervenção visando a tomada por dentro, em listas de unidade, dos sindicatos únicos, denominados sindicatos nacionais, e desenvolver a partir das posições conquistadas, lutas reivindicativas nos locais de trabalho, duas grandes linhas de acção que se tornaram uma constante na actividade dos comunistas durante o regime fascista.

 

 



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