- Nº 2706 (2025/10/9)O PCP denuncia que o Conselho Europeu (CE) continua a apostar no militarismo e na guerra, ignorando os problemas reais dos trabalhadores e dos povos e canalizando milhares de milhões para a indústria armamentista.
Em comunicado do Gabinete de Imprensa do Deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Oliveira, divulgado anteontem, 7, refere-se que a recente reunião informal do CE, realizada em Copenhaga, veio confirmar a opção da União Europeia (UE) por uma política de «militarismo, confrontação e guerra», e a sua aposta «no prolongamento do conflito que se trava na Ucrânia», que «usa como pretexto para fomentar a indústria militar e a escalada armamentista», em «detrimento da resolução dos problemas reais dos trabalhadores e dos povos que continuam a agravar-se».
Além das «contradições, divergências e dificuldades» – nomeadamente em torno do denominado «muro de drones», ao assalto aos activos russos ou à adesão da Ucrânia à UE – o Partido refere que «a generalidade dos países que integram a UE continuam a alinhar-se com a propaganda da guerra, acenando com falsas ameaças e instigando sentimentos de insegurança e medo, para impor brutais aumentos das despesas com os armamentos e a guerra, catapultando os lucros multimilionários do complexo militar-industrial – incluindo dos EUA –, ao mesmo tempo que anunciam a contenção dos salários e das pensões e ataques aos direitos laborais e a outros direitos sociais, aos sistemas públicos de saúde e de segurança social».
Milhões para a guerra
O comunicado destaca que a UE prevê gastar cerca de 150 mil milhões de euros para garantir que, até 2030, 5% dos PIB nacionais sejam destinados ao sector militar – montante que, segundo o PCP, em Portugal é praticamente «equivalente ao orçamento público para a Saúde, a Educação ou a Habitação».
«São milhares de milhões de euros que deveriam ser utilizados para construir casas e hospitais, recuperar escolas degradadas, contratar profissionais e desenvolver os sectores produtivos», sublinha o texto, criticando ainda António Costa e Ursula von der Leyen por «procurarem subterfúgios para contornar decisões por unanimidade», tal como sucedeu com o acordo UE-Mercosul.
Para os comunistas, «a prioridade não pode continuar a ser a instigação e o prolongamento da guerra, mas a promoção de medidas que visem alcançar a paz, a segurança colectiva e a cooperação na Europa, a defesa e o investimento no reforço dos serviços públicos e das funções sociais dos Estados, no aumento dos salários e pensões, na melhoria das condições de vida dos trabalhadores, no progresso social dos povos».