- Nº 2706 (2025/10/9)

Entre promessas e ameaças, o genocídio prossegue

Internacional

Dois anos passados sobre o início da agressão ao povo palestiniano na Faixa de Gaza, o saldo de destruição e morte é impressionante. Entretanto, iniciaram-se novas conversações indirectas em Sharm El-Sheikh, entre a resistência palestiniana e Israel, mediadas pelos EUA, o Egipto e o Catar.

Lusa


Quando passam dois anos desde o início da agressão israelita contra a população palestiniana na Faixa de Gaza, fontes palestinianas dão conta da existência de 67.173 mortos e de 169.780 feridos. Calcula-se que haja ainda milhares de cadáveres sob os escombros de cidades e aldeias destruídas, pelo que algumas estimativas apontam para um número maior de mortos.

O comissário da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) assinalou que, ao cumprir-se o segundo ano da agressão israelita à Faixa de Gaza, um cessar-fogo imediato é «a única saída deste abismo e deste caos». Também deve ser garantida «a entrega sem restrições de produtos humanitários básicos em grande escala» no território, inclusivamente através da UNRWA, defendeu. Nestes dois anos, sublinhou, a população da Faixa de Gaza «não conheceu senão destruição, deslocação forçada, bombardeamentos, medo, morte e fome».

Conversações indirectas 
A primeira ronda de conversações indirectas entre a resistência palestiniana e Israel decorreu, na segunda-feira, 6, «numa atmosfera positiva», veicularam diversos meios de comunicação. O diálogo continuou no dia seguinte, na cidade egípcia de Sharm El-Sheikh, na península do Sinai, com base numa proposta apresentada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que inclui pontos que a resistência palestiniana critica, mas sobre a qual aceitou conversar tendo em vista pôr fim à agressão israelita.

Nesta primeira ronda terá sido estabelecido um roteiro para determinar o calendário das negociações, que contam com a presença de mediadores do Egipto, do Qatar e dos EUA e representantes da Turquia. Segundo a mesma fonte, a resistência palestiniana exigiu o fim dos ataques israelitas, como condição para realizar uma troca de prisioneiros, e pretende garantias claras de que o fim da agressão israelita se verifica logo que se efectue a entrega dos israelitas detidos.

Um responsável palestiniano mostrou um profundo cepticismo sobre a possibilidade de se avançar para um acordo, já que a resistência palestiniana considera que Israel pode pôr fim ao processo negocial uma vez entregues os israelitas que estão detidos.

Portugal não pode associar-se ao genocídio
O PCP divulgou, no dia 3, uma nota de imprensa em que considera «intolerável que aviões F-35 vendidos pelos EUA a Israel tenham usado, como escala, a Base das Lajes». Para o PCP, a argumentação do ministro dos Negócios Estrangeiros, atirando para cima do Ministério da Defesa a responsabilidade, torna evidente a «ausência de uma orientação clara do Governo português face ao regime israelita, associando assim Portugal ao fornecimento de armas para a sua política genocida, de ocupação e de colonização». O PCP chamou à Assembleia da República os dois ministros para que sejam «clarificadas as circunstâncias que conduziram a este condenável acontecimento».