RESISTIR E AVANÇAR
«Clareza, coragem, iniciativa»
Saudando os militantes do Partido, activistas do PEV e os milhares de independentes que ergueram, lado a lado com os candidatos, a campanha de esclarecimento e mobilização da CDU, o Comité Central do PCP, reunido a 14 de Outubro de 2025,reafirma a todos quantos transformaram em voto o seu apoio e reconhecimento pelo projecto distintivo e percurso de trabalho, honestidade e competência da CDU, o seu compromisso de sempre de honrar a palavra dada e intervir, em cada autarquia, em defesa dos trabalhadores e do povo, dos seus direitos e aspirações.
O resultado eleitoral, obtido em condições muito exigentes, confirma a CDU como uma importante força no poder local, com 6,62 por cento dos votos, terceira força política em número de presidências de câmaras municipais, 97 presidências de juntas de freguesia com um total de 1500 eleitos directos, representando uma redução da sua expressão eleitoral. Não traduz, no entanto, o reconhecido percurso de trabalho e intervenção dos seus eleitos nas autarquias, assim como condicionará negativamente as condições para ser assegurada uma gestão de acordo com os interesses das populações.
Um resultado que enfrentou um conjunto de factores adversos que foi contrariado e em parte minimizado pelo reconhecimento do trabalho realizado e da seriedade dos candidatos e pela mobilização e empenhamento de milhares de activistas e candidatos.
Trata-se de um resultado que, sendo em geral negativo, é simultaneamente um sinal de resistência, que se revela na conquista de novas maiorias, no resultado obtido na cidade de Lisboa e na significativa subida eleitoral face às eleições de Maio passado, desmentindo assim os muitos vaticínios sobre a irreversível perda da CDU e confirmando as reais possibilidades de avançar, reconquistar e vencer novas autarquias.
Para o resultado da CDU concorreu negativamente, entre muitos outros, o peso de factores nacionais, em particular, a dinâmica que tende para desvalorizar a dimensão e natureza local das eleições e em que, a deliberada confusão entre aquelas que são responsabilidades do poder local e central, acentua as consequências da prolongada campanha de mentiras e falsificação da acção e posicionamento do PCP particularmente intensificada ao longo dos últimos quatro anos e de três eleições legislativas.
No momento em que se inicia um novo mandato, as populações podem contar com o respeito dos eleitos da CDU pelos compromissos assumidos, com a sua reconhecida competência na concretização de um projecto autárquico distintivo de participação e proximidade, pela valorização dos trabalhadores e do movimento associativo, pela defesa do serviço e espaços públicos, pela promoção dos valores ambientais, pela democratização do acesso à cultura e ao desporto e pela defesa do poder local democrático.
A situação nacional continua marcada por profundas injustiças, constrangimentos e dependências e por uma ofensiva que visa liquidar direitos e agravar a exploração.
É uma situação que exige clareza, coragem e iniciativa. Clareza no combate à política de direita seja ela protagonizada por quem for. Coragem no confronto com os interesses do grande capital, com as forças reaccionárias e com as imposições da União Europeia. E iniciativa para levar por diante uma intensa intervenção política, a dinamização da luta, a defesa e aplicação dos direitos que a Constituição consagra.
Impõe-se, pois, o combate ao retrocesso que representa a ofensiva em curso contra os direitos laborais, desde já e com a participação na Marcha Nacional contra o Pacote Laboral, convocada pela CGTP-IN, para dia 8 de Novembro, em Lisboa.
Impõe-se também a denúncia da proposta do Governo do Orçamento do Estado para 2026, um orçamento de baixos salários e pensões, de contenção do investimento e ataque aos serviços públicos, de injustiça fiscal e financiamento dos lucros do grande capital. Um orçamento que agrava as injustiças e as desigualdades e que substitui a resposta aos problemas pela submissão aos interesses dos grupos económicos e das multinacionais, e às imposições do euro e da UE.
Do mesmo modo se impõe a participação na campanha de solidariedade com a Palestina em que se insere o concerto no próximo sábado no Fórum Lisboa, precedido de manifestação. Realizam-se também no dia 22 um protesto no Porto e concertos, amanhã, em Coimbra e, dia 26, em Loulé.
Neste quadro político e institucional assumem particular importância as eleições para Presidente da República, quanto ao posicionamento do futuro Presidente seja em face da Constituição e dos valores de Abril, seja quanto à agenda de retrocesso social e democrático que está a ser promovido. Um quadro em que a candidatura de António Filipe a PR assume uma particular importância, que a todos os que se preocupam com este papel do PR deverá mobilizar.
Este é um momento de acção e iniciativa, por uma sociedade e um mundo mais justos e por um outro rumo para o País que assegure uma política patriótica e de esquerda, ao serviço dos trabalhadores e do povo. É por essa outra política que o PCP concretizará a sua iniciativa política, a luta de massas, a acção com outros democratas e patriotas, as eleições para PR, a luta pela paz e a solidariedade internacionalista e o reforço do Partido.




