Em Coimbra afirmou-se uma candidatura distinta
Entre Sexta-feira e Domingo, a campanha de António Filipe esteve por Coimbra. Com vários momentos diferenciados como reuniões, sessões e visitas, estes foram dias importantes de contacto para o alargamento do apoio à candidatura da «esperança que não fica à espera».
«as eleições não estão decididas»
A hora e meia da cidade de Coimbra e praticamente uma hora do centro de Arganil (concelho a que pertence), a aldeia de Piódão foi alvo de bastante atenção mediática este Verão, estando ao lado do local onde começou um dos mais devastadores incêndios deste ano, que chegou a atingir zonas do distrito vizinho, nomeadamente na Covilhã.
A beleza assoberbante desta aldeia – retratada em passagens como a de Miguel Torga transcrita numa placa à entrada: «de uma beleza que nem o passado viu, nem o futuro há-de adivinhar» - contrasta com os quilómetros de área ardida que a cercam, assim como com a situação de abandono que décadas de desinvestimento no Interior forçaram, levando a um longo processo de despovoamento que fez com que ali, hoje, apenas morem, sensivelmente, quarenta pessoas.
Como no restante Interior do País, ainda muitos resistem e lutam para ficar nas suas terras, dinamizando a economia, cuidando do território e da natureza e valorizando o património cultural local. Esse é o caso dos comerciantes e locais com que António Filipe e a sua comitiva falaram durante a manhã de sexta-feira.
«Eu nasci mesmo aqui», mas nos últimos anos «ficaram cá os pais e os filhos foram embora», relatava um comerciante, descrevendo movimentos demasiado comuns de abandono da aldeia.
Um pouco à frente, na conversa com pessoas que tomavam o seu café matinal, estas queixavam-se da ausência de soluções para a organização da floresta, assim como o isolamento a que estão sujeitos. «Vivemos um dia de cada vez, a natureza há-de se reerguer», referiu um deles ao recordar os incêndios. Numa zona tão dependente de turismo, estes afectaram em muito a actividade económica durante a época alta, como relatou uma trabalhadora do Núcleo Museológico de Piódão.
Portugal precisa de um Presidente que conheça os problemas do Interior e que se bata pelo seu desenvolvimento e pela coesão territorial. Só se avança não deixando ninguém para trás e ajudando a trazer vida a tantos sítios que apenas vão resistindo com muito sacrifício e força de cada vez menos gentes.
Inconformismo e sobressalto
Já mais tarde, realizou-se uma sessão pública na Casa da Cultura municipal. Apresentando a iniciativa, Vera Ferreira destacou a importância de um Presidente que «que não aceita a resignação como destino» e lembrou que «as eleições não estão decididas».
Na sua intervenção, António Filipe frisou a importância da Constituição que «transcreve a matriz identitária da Revolução de Abril», assim como de a defender e fazer cumpri-la de forma séria, pois existiram «momentos em que esta foi afirmada contra a vontade de governos», dando o exemplo dos tempos do governo de Passos Coelho. «O cumprimento da Constituição é um território de luta política», território onde António Filipe se posiciona firmemente e sem quaisquer dúvidas, defendendo uma «actualização dos três dês» - democracia, direitos, desenvolvimento. Antes de terminar, voltou a mostrar que a resignação e o imobilismo nunca serão alternativa, pois «os ventos, por muito fortes que soprem, nunca nos apanharão pelas costas».
Numa muito bem composta audiência, brotou ainda, de seguida, um frutífero debate que durou aproximadamente uma hora. Francisco Queiroz, membro da Comissão Concelhia de Coimbra do PCP, disse que «esta sala tem muita gente que não é militante comunista», dando uma amostra daquilo que deve ser o trabalho de alargamento necessário na construção desta campanha, assim como o tremendo potencial existente. Outro apoiante lembrou que 18 de Janeiro de 2026, dia para o qual se perspectiva a realização das eleições, marca o 92.º aniversário da Revolta dos Marinheiros. Uma data simbólica e relevante para todos aqueles que, tal como António Filipe, afirmam que «um Presidente da República não pode ser neutro quando os trabalhadores lutam».
Uma presidência da juventude
Já no Domingo, António Filipe esteve no Colégio da Trindade, em Coimbra, onde participou num debate organizado pelo CNED, no quadro do Encontro Nacional de Estudantes de Direito (ENED). Com o tema: “Juventude e Presidenciais – Um debate para o futuro de Portugal”, este foi um importante espaço de contacto com dezenas de jovens, onde ficaram claros os aspectos distintivos desta candidatura.
Na sua intervenção inicial, António Filipe destacou a importância dos «jovens sentirem que têm um Presidente da República que está do seu lado».
Mais à frente, abordaram-se temas como o aumento das propinas, a habitação e a importância de conhecer a Constituição.
Já à saída, um pormenor que merece destaque pela forma como traduz a natureza da recepção a esta candidatura. Na parte exterior do colégio, passa um carro que buzina, abranda e de onde emerge alguém gritando: «António Filipe, neste carro vamos todos votar em si, obrigado!», uma acção, no meio de tantas outras, que vai reforçando a confiança e confirmando a importância desta candidatura.




