Aperta o cinto, Zé, a massa faz falta para armas!
Faz hoje uma semana, o Conselho da União Europeia, em processo negocial com o Parlamento Europeu, chegou a acordo quanto ao “Programa da Indústria de Defesa Europeia”, um programa de mobilização de recursos para a indústria europeia da guerra no período 2025-2027. Ficámos a saber que esse acordo custar-nos-á mais 1,5 mil milhões de euros para, dizem, «impulsionar a prontidão da UE em matéria de defesa, reforçando a competitividade e a capacidade de resposta da base tecnológica e industrial de defesa europeia», «garantir a segurança de aprovisionamento» bem como «apoiar a cooperação industrial no domínio da defesa com a Ucrânia e as empresas ucranianas através do Instrumento de Apoio à Ucrânia», em que se consagrarão mais 300 milhões de euros para alimentar a guerra (a somar aos já 63,2 mil milhões de euros que a UE para ali mobilizou).
Mais dinheiro para a guerra, a indústria da morte como um negócio lucrativo e, claro, que se agilizem os procedimentos para alcançarmos rapidamente e a todo o custo os 5% do PIB em defesa e garantirmos os milhares de milhões em aquisições de armamento aos EUA que Trump disse que custariam à UE. Afinal de contas, será preciso dar corpo aos 600 mil milhões de investimento na indústria dos EUA com que a UE se comprometeu em Julho passado no escandaloso e submisso acordo comercial, acordo a que cinicamente se referem como o reforço da “cooperação” transatlântica.
Importa recordar este caminho no contexto de programas, para o período temporal até 2030, como o “Rearmar a Europa” – que prevê a mobilização de 800 mil milhões de euros, incluindo 150 mil milhões de euros em empréstimos para investimentos conjuntos em “defesa” do “SAFE” –, a par de um Orçamento Plurianual da UE em discussão em que se antecipa o aumento das verbas militares e securitárias (directas ou indirectas) ao mesmo tempo que se corta na coesão e nos fundos estruturais. Este aumento brutal na indústria da guerra faz-se quando os países da UE atingiram em 2024 uma despesa em “defesa” de 343 mil milhões de euros, 81,5% mais que em 2014, valor que se espera volte a aumentar em 2025 atingindo 381 mil milhões de euros.
Porque é preciso ir buscar esta “massa” a algum lado, vai-se pois ao bolso do Zé. É sem pejo que se anuncia o «aumento do investimento privado na segurança e na defesa, em especial através da União da Poupança e dos Investimentos», que «facilitará a mobilização da poupança privada e canalizará os investimentos para sectores críticos da economia, como a defesa». Que é como quem diz, vamos às pensões, para o que concorre o caminho da privatização da Segurança Social. Mas também o assalto a salários e pensões, a direitos laborais, à saúde, educação e habitação públicas.
Continuar a apertar o cinto, Zé? Vamos mas é à luta?




