Israel desrespeita cessar-fogo e prossegue ataques na Faixa de Gaza

Continua em vigor na Faixa de Gaza um frágil cessar-fogo, estabelecido no dia 10 de Outubro, após intermediação internacional, mas as forças israelitas não respeitam o acordo e continuam a efectuar ataques e a bloquear a entrada da urgente ajuda humanitária à população palestiniana.

Israel continua a assassinar e a impor o bloqueio à entrada da necessária ajuda humanitária na Faixa de Gaza

O exército israelita matou 97 palestinianos e feriu 230 na Faixa de Gaza desde o inicio do cessar-fogo, denunciaram na segunda-feira, 20, as autoridades do território. O Gabinete de Meios de Imprensa palestiniano afirmou em comunicado que as forças israelitas cometeram já 80 violações do cessar-fogo, atacando a população palestiniana na Faixa de Gaza. Essas violações «foram monitorizadas em todas as regiões da Faixa de Gaza, sem excepção, o que confirma que os ocupantes não se comprometeram a parar a sua agressão e continuam a sua política de matar e aterrorizar o nosso povo», informou o gabinete.

No dia 10, entrou em vigor um acordo de cessar-fogo entre a resistência palestiniana e Israel, que incluiu a troca de prisioneiros, uma retirada parcial do exército ocupante e a entrada de ajuda humanitária no território, como uma primeira fase de um processo negocial. Agora, as duas partes, com a mediação e a garantia de vários países – como o Egipto, o Qatar, a Turquia e os EUA – deverão começar a segunda fase do processo de negociações, que foi rejeitada por Israel aquando do acordo de cessar-fogo de 19 de Janeiro de 2025.

De forma vergonhosa, as autoridades israelitas responsabilizam cinicamente a resistência palestiniana de ainda não ter entregue os corpos de detidos israelitas que foram mortos por Israel nos seus sistemáticos bombardeamentos à Faixa de Gaza. Os seus corpos encontram-se, tal como os de milhares de palestinianos – incluindo crianças, mulheres, idosos, de famílias palestinianas inteiras –, sobre os escombros, o que dificulta a sua localização e identificação.

Entretanto, a resistência palestiniana procurou neutralizar a acção de grupos armados que colaboram com as forças militares israelitas nos ataques e imposição do bloqueio à entrada de ajuda humanitária para a população da Faixa de Gaza. Recorde-se que em Junho, a CNN noticiou o plano de Israel – confirmado pelo próprio primeiro-ministro Netanyahu – de armar grupos, que actuariam na Faixa de Gaza com as forças militares israelitas contra a resistência palestiniana.

Continua o criminoso bloqueio
Acresce que o regime sionista de Israel utiliza a situação dos corpos dos detidos israelitas, pela qual é responsável, como pretexto para continuar criminosamente a bloquear a entrada da urgente ajuda humanitária, não cumprindo com os termos do acordo. Até segunda-feira, e desde o início do cessar-fogo, a 10 de Outubro, tinham entrado 986 camiões de ajuda humanitária na Faixa de Gaza – bem longe dos 6600 que, segundo os termos do acordo, deveriam ter entrado.

«O número médio de camiões que entram diariamente na Faixa de Gaza desde o início do cessar-fogo não ultrapassa os 89, dos 600 camiões que deveriam entrar», denunciaram os responsáveis palestinianos, referindo que tal facto mostra que continua a política de «estrangulamento, fome e chantagem humanitária praticada pela ocupação [israelita]».

Esta quantidade de ajuda humanitária está muito longe de responder às necessidades mínimas, sendo urgente assegurar um fluxo regular de pelo menos 600 camiões diários, com alimentos, medicamentos, combustível e gás, para garantir as necessidades básicas da população palestiniana.

Ataques e detenções na Cisjordânia
As forças israelitas lançaram na segunda-feira, 20, uma nova campanha de ataques e detenções na Cisjordânia ocupada, onde assaltaram diversas localidades. A agência oficial de notícias Wafa reportou que militares israelitas arrasaram terras agrícolas na cidade de Hebrón e no povoado de Beit Ummar.

Segundo dados do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), as forças militares e os colonos israelitas assassinaram 690 palestinianos, incluindo 131 menores, na Cisjordânia, desde 1 de Janeiro de 2024 até 30 de Setembro de 2025.

 



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