Campanha avança em terras a Sul
Numa semana em que o quadro de tratamento mediático continuou bem distante dos problemas sentidos por quem vive e trabalha no País, a candidatura de António Filipe mantém a sua natureza distintiva, estando ao lado daqueles que fazem Portugal avançar.
toda a força para transformar o mundo onde está inserido
Palmela, Almada, Faro, Loulé, Beja, Serpa, Évora, Arraiolos, Montemor-o-Novo, Grândola, Alcácer do Sal, Santiago do Cacém e Sines. Extensa, ambiciosa e a sul, assim se pode caracterizar a lista de concelhos onde a candidatura presidencial de António Filipe esteve presente nos últimos tempos. Mais exigente ainda que este longo percurso, é a afirmação corajosa de uma candidatura que realmente rompa com as práticas repetidas no exercício das funções presidenciais, em que os problemas reais das populações são substituídos por exercícios de comunicação e distracção, e onde a Constituição da República e os valores de Abril são contrariados violentamente. Esta é uma candidatura que rejeita estas práticas, da mesma forma que recusa vaticínios derrotistas e exercícios aritméticos anteriores ao momento em que os votos caem na urna. Afirmando a seriedade, a responsabilidade e o compromisso com a letra da lei basilar da democracia portuguesa, assim se apresenta uma candidatura verdadeiramente diferenciada e transformadora.
Dos mais aos menos jovens
Todos contam e todos fazem falta para a construção de um País diferente, sejam aqueles que têm toda uma vida pela frente, como aqueles que chegam agora a uma fase de merecido repouso, após uma vida cheia de trabalho.
Tanto o Refúgio Aboim Ascensão, no Algarve, como a Ludoteca da Freguesia de Grândola dão provas na defesa da criança e na criação de ambientes saudáveis para a infância. A primeira, focando-se no apoio médico, fisioterapêutico, psicológico, educativo e social, e a segunda, criando espaços para brincar e aprender. A valorização destes espaços ganha particular importância em regiões onde é crucial criar condições para que as jovens famílias se possam instalar e onde as crianças possam crescer.
Na AURPICAS, em Alcácer do Sal, verificou-se um exemplo de boas práticas para a defesa de um envelhecimento com direitos e qualidade, antagónicoa ideia distorcida de “envelhecimento activo”, que iniciativas como o novo pacote laboral promovem para aumentar a exploração. Nesta associação, o envelhecimento é um momento a ser tratado com respeito e cuidado, dando as condições para os residentes aproveitarem esta fase da sua vida. Prova disto, está no relato de um dos residentes que, mesmo com 84 anos, afirma: «ainda estou jovem!»
Vila Morena
A visita a Grândola ficou ainda marcada por uma ida ao núcleo museológico - Grândola Vila Morena, assim como ao Núcleo Museológico de Etnografia – Casa Frayões Metellos.
O primeiro, destaca-se pela forma como recria os passos que inspiraram a criação da icónica canção de Grândola, recreando as visitas de José Afonso a esta terra, os livros proibidos que leu, a marca brutal da censura e até o próprio estúdio onde esta faixa foi gravada. Os passos ouvidos no início do tema são também possíveis de imitar pelos visitantes, com recurso às pedras espalhadas pelo chão do museu, num exercício a realizarantes de se ouvir algumas das 92 versões disponíveis desta cantiga, em estilos e línguas muito diferentes.
Mas conhecer esta canção e o processo criativo que a precede, é também conhecer o povo que faz desta terra aquilo que ela é. Para isso, estava reservada a visita ao segundo núcleo museológico, onde se conheceu a tradição que informa e enforma o futuro. Explora-se de tudo, desde a produção de bebidas artesanais e azeite à tecelagem e barbearia, tudo ofícios de um povo que tem, em si, toda a força para transformar o mundo onde está inserido. À saída do primeiro núcleo, lembra-se ainda: «Abril, pátria da nossa eternidade», ao lado de uma placa de Grândola onde, como tantas outras, o povo tomou pelas suas mãos o acréscimo posterior - «Vila Morena», tomando nas suas mãos, os destinos da Revolução.
Cultura e Associativismo
Deixar a dimensão cultural e o associativismo à margem da discussão quando chegam os momentos eleitorais não é coincidência nem acidente, é prática corrente daqueles que procuram cultivar o individualismo, o obscurantismo e valores reaccionários. Da parte da candidatura presidencial de António Filipe, a resposta não podia ser mais contundente, ao afirmar um caminho alternativo, junto daqueles que resistem e constroem a vida associativa e cultural. Em Palmela, realizou-se uma visita à Sociedade Filarmónica Humanitária, onde o foco passa pelo ensino musical a crianças. Já em Almada, a tarde foi passada à conversa com cerca de cinquenta dirigentes associativos, na Academia Almadense. Uns dias mais tarde, já no distrito de Beja, o candidato visitou o Museu do Cante Alentejano, em Serpa, assim como o Museu Etnográfico da região. As diferentes expressões do movimento associativo, nas suas várias vertentes, assim como os espaços museológicos ligados à terra de onde surgem, dão um contributo decisivo na afirmação e preservação da identidade cultural de um povo. Sem a sua devida valorização, crescem os riscos de esquecimento e empobrecimento cultural, condições indispensáveis para o crescimento da aceitação de opções reaccionárias.
Na luta pelo território
O contacto com os bombeiros tem sido uma das principais preocupações desta campanha, não só pelo papel determinante que estes corpos desempenham na salvaguarda do bem-estar das populações e na missão de combate aos incêndios, mas também pelas condições difíceis em que travam estas batalhas.
Junto dos Bombeiros Municipais de Loulé e dos Bombeiros Voluntários de Santo André, em Santiago do Cacém, foi possível compreender melhor a actividade destas corporações. Muitos destes corpos de bombeiros enfrentam sérios desafios a nível de recursos, equipamentos e infra-estruturas, desafios que o Presidente da República tem de conhecer e ajudar a superar, no quadro das suas responsabilidades na defesa da coesão territorial. Em Santo André, um curioso painel de azulejos estava exposto à entrada. De um dos lados, uma paisagem quase apocalíptica, retratando uma extensa área ardida como tantas vezes se verifica nos meses mais quentes, do outro, uma paisagem cuidada, limpa e verde. Se a linha divisória deste horizonte artístico era, neste painel, somente estética e metafórica, na realidade, a linha que separa estas duas paisagens reside no compromisso que se assume com a valorização da profissão de bombeiro, no investimento real nos seus equipamentos e no apoio constante a estas associações.
Rosto de esperança e coragem
Para além das múltiplas iniciativas onde o foco se prendeu com o conhecimento de diferentes realidades, assim como o contacto com diferentes associações e instituições, houve ainda espaço para duas sessões públicas, em Montemor-o-Novo e em Sines. À imagem daquilo que se tem verificado nas anteriores, estas continuam a pautar-se por salas cheias de gente confiante.
Em Sines, concelho que, tal como Montemor-o-Novo, viu a CDU regressar à presidências dos respectivos executivos camarários nas passadas eleições autárquicas, Álvaro Beijinha, presidente eleito da CM de Sines, deu o mote para a sessão fazendo um enquadramento do quadro político e dos desafios que nos estão colocados. «Vamos dar grande força ao António» e «transportar aquilo que foi uma grande vitória no Concelho de Sines» para podermos ter aqui «uma candidatura séria».
António Filipe, por sua vez, voltou a reiterar que o que importa é ter «órgãos de soberania que se identifiquem com os valores da Constituição». Esta candidatura não acredita que os valores de Abril e os valores da esquerda «tenham sido derrotados», pelo contrário, há a convicção que é preciso mais força para os afirmar.




