Parlamento aprova OE ao serviço de muito poucos

«Peça de uma política desastrosa assente na propaganda e ao serviço de uma minoria que vive à custa da vida difícil da maioria do povo». Foi com estas palavras que Paulo Raimundo descreveu a proposta de Orçamento do Estado (OE), discutido nos dias 27 e 28 e aprovado pelo Parlamento com o voto contra do PCP.

«Instrumento de uma política desastrosa»

Lusa

Para o Secretário-Geral, o OE é «um instrumento de uma política desastrosa», que vai no sentido oposto do caminho que o País precisa, de valorização dos trabalhadores, reformados e jovens.

E Paulo Raimundo foi claro, ainda antes de ser conhecido o resultado da votação: «Quem permitir, seja de forma clara ou encapotada, que o OE vá para a frente, pode até encontrar todas as justificações ou as mais criativas adjectivações, que não se livra de ser cúmplice deste caminho». O dirigente comunista referia-se, entre outros, como o PAN ou o JPP, ao PS, cuja abstenção há muito anunciada fez que se partisse para a discussão já com a clareza da aprovação da proposta.

 

Do patrão, da UE… de todos menos do povo
O OE é, afirmou, um documento feito «às ordens de Bruxelas» e ao serviço de uma política de benefícios fiscais, desvio de recursos do SNS, PPP, degradação da escola pública e privatizações. Também não dá resposta ao preço das casas, aos bebés a nascer em ambulâncias, às urgências fechadas, aos alunos sem professor e ao aumento do custo de vida.

Isto, sublinhou, enquanto se favorecem os grupos económicos e «os impostos sobre os lucros descem», com uma cada vez maior concentração da riqueza em desfavor dos «prometidos salários dignos».

«Este é o OE do pacote laboral», frisou, afirmando que a proposta do Governo serve a uma política de «ainda mais precariedade, desregulação dos horários de trabalho, despedimentos sem justa causa». É, no fundo, afirmou, «o golpe do grande patronato».

 

Só serve uma minoria
Na fase de questões aos ministros, os deputados comunistas criticaram diversos aspectos da proposta de OE. Alfredo Maia endereçou as suas críticas à injustiça fiscal, com a proposta a dar «mais 1800 milhões em benefícios fiscais» e a baixar os impostos sobre a banca, em vez de descer o IVA sobre bens e serviços essenciais.

O deputado sublinhou, igualmente, que, ao contrário do que apregoa o Governo, o OE não é equilibrado. Pelo contrário, disse, «o que faz é desequilibrar mais a vida de trabalhadores, reformados e pensionistas», não dando as respostas que se exigem aos 800 mil trabalhadores a receber o salário mínimo ou aos 2,6 milhões de reformados cuja pensão média é de 665,54 euros.

 

Serviços públicos vão piorar
Paula Santos acusou o Governo de não dar resposta à falta de trabalhadores na Administração Pública – pelo contrário, notou, o que o Executivo «propõe é nem mais um trabalhador [em] 2026».

Em matéria de Administração Pública, Alfredo Maia reforçou as questões dos comunistas sobre a possível fusão do ICNF e APA (ver pág. 11).

 

Excedente hoje, défice amanhã
«O País precisa de um forte estímulo ao mercado interno, alargar o poder de compra, incrementar o investimento público e privado, apostar na produção nacional, apoiar as MPME, para reduzir a dependência externa e criar riqueza e emprego com direitos. Este é o caminho para o desenvolvimento económico e a redução da dívida», destacou a líder parlamentar, para quem este desígnio é incompatível com «os condicionalismos da UE», a redução do IRC para as grandes empresas e «a obsessão pelos excedentes orçamentais de hoje, [que] serão os défices de amanhã».

 



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