- Nº 2709 (2025/10/30)«Aqui está a esperança que afronta o conformismo, aqui está a solidariedade e unidade que fazem frente à divisão e ao ódio, aqui está o futuro que se opõe ao retrocesso», afirmou Paulo Raimundo no comício que, no dia 23, encheu o salão da Voz do Operário, em Lisboa. A luta contra a política de direita e os seus instrumentos, como o Orçamento do Estado e o Pacote Laboral, esteve no centro da intervenção do Secretário-Geral do PCP.
Aos comunistas e seus aliados está colocado o desafio de sempre, reafirmado por Paulo Raimundo: «Voltemos aos sítios de onde nunca saímos, voltemos às empresas, aos locais de trabalho, voltemos às terras, aos bairros, às freguesias, levemos por diante uma acção junto dos trabalhadores e das populações, dinamizando acções de contacto, esclarecimento e agitação.» Depois de uma intensa campanha para as eleições autárquicas, que envolveu muitos milhares de candidatos e activistas, membros do PCP e do PEV e independentes sem partido, importa criar as condições para «manter a dinâmica que tivemos no terreno». Se isto for feito, garantiu o dirigente comunista, «ficaremos mais perto do reforço, ficaremos mais perto de novas conquistas no futuro».
Clareza, coragem e iniciativa
«A vida dos trabalhadores, das populações e da juventude, exigem clareza, coragem e iniciativa. Clareza no combate à política de direita, venha ela de onde vier. Coragem para enfrentar o grande capital, as forças reaccionárias e as imposições da União Europeia. Iniciativa de uma intensa intervenção política e a dinamização da luta» – afirmou Paulo Raimundo, garantindo que só o PCP garante essa clareza, coragem e iniciativa.
Com o pacote laboral, denunciou, estão em causa os direitos dos trabalhadores, mas também as bases de uma sociedade ainda mais injusta: «mais precariedade, mais desregulação dos horários, despedimentos sem justa causa, é isto que querem para quem trabalha, mas de forma particular para os mais jovens.» A Marcha Nacional de 8 de Novembro, convocada pela CGTP-IN, é um momento alto para afirmar a rejeição do pacote laboral e do rumo de exploração e injustiças.
Quanto ao Orçamento do Estado, afirmou o Secretário-Geral, é uma «peça da política ao serviço dos grupos económicos e à ordens de Bruxelas», um autêntico «passador de recursos públicos para os grupos económicos». Quem o viabilizar e apoiar, acrescenta, está-se «nas tintas» para o País e para a maioria dos que nele vivem e trabalham. Viabilizar este OE é deixar passar uma peça desta política «da especulação imobiliária, do desmantelamento do SNS e da escola pública, de mais precariedade, desregulação dos horários de trabalho e de despedimento sem justa causa, uma política que promove o trabalho clandestino e a exploração dos trabalhadores imigrantes, do aumento das propinas, privatizações, do assalto à Segurança Social».
O Chega e a IL, que estão «enterrados até ao pescoço com este rumo desgraçado», continuarão a fazer o que melhor fazem: manobras de falsa oposição, teatro, gritaria, para «desviar atenções dos seus compromissos» e do facto de muitas das suas propostas estarem reflectidas no Orçamento». Têm que agradecer ao PS, cuja “abstenção exigente” é mais uma abébia a estes partidos.
Mas os combates dos comunistas são mais vastos: «Cá estamos e não abdicamos da luta pela Paz e pelo fim das guerras e do militarismo. Cá estamos pela solidariedade com a Palestina.»
Emoção e determinação
Antes de Paulo Raimundo ter realçado a «campanha de massas ligada à vida e cheia de entusiasmo», já Gonçalo Tomé, membro do Comité Central e dirigente regional do Partido, tinha destacado os 3700 candidatos da CDU no distrito de Lisboa, os 170 eleitos directos, as centenas de iniciativas realizadas e os milhares de contactos efectuados: «quilómetros de ruas, bairros e localidades percorridos, porta a porta, conversa a conversa, concelho a concelho, freguesia a freguesia, empresa a empresa.»
Marta Boavida, da JCP, apresentou o comício e fez mais do que isso: valorizou o papel da juventude, e da juventude comunista, em todos estes combates. O 13.º Congresso da Juventude Comunista Portuguesa, que se realiza daqui a menos de um mês, é de grande importância (Paulo Raimundo afirmou mesmo que o Partido deverá fazer «tudo, mas mesmo tudo», para que seja um êxito).
O grupo Cancioneiro Clandestino, constituído por trabalhadores do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, interpretou canções que sempre acompanharam – e continuam a acompanhar – a luta do povo pela liberdade, a justiça e o progresso social.
Propostas reveladoras
O Secretário-Geral do PCP deu o exemplo das opções fiscais de PSD, CDS, IL e Chega para demonstrar os interesses que servem. No caso do IRC, e da descida da taxa para 19 por cento, trata-se de entregar aos grupos económicos 2 mil milhões de euros por ano, que «fazem falta para hospitais, casas, médicos, salários, pensões». Paulo Raimundo lembrou que 56 por cento das empresas não pagam este imposto, que incide sobre lucros superiores a um milhão e meio de euros. Assim, salientou, «vir falar da descida do IRC arrastando para a discussão as pequenas empresas é um atentado contra os pequenos empresários que fazem das tripas coração para aguentar os seus negócios».
Para o dirigente comunista, a Iniciativa Liberal é a «lebre ideológica da política em curso», reclamando uma ainda maior redução do IRC. Quanto ao Chega – o «abre latas disto tudo» –, não só acompanha a IL na ideia de uma ainda maior redução do IRC como quer, ainda, acabar com a derrama estatual, uma medida que «não serve uma única pequena empresa»: em Portugal, há cerca de um milhão de empresas e só cerca de 3600 pagam derrama – e apenas 74 são responsáveis por 60 por cento do total de todo o valor da derrama. Acabar com a derrama serve, apenas, aos grandes grupos económicos, «serve e de que maneira os financiadores do Chega».
Esta proposta, realçou ainda o Secretário-Geral do Partido, «revela bem o que é e quem serve o Chega e quem ganha com a sua hipocrisia, demagogia e mentiras».