UE: para as multinacionais e a guerra tudo, para os povos nada, nada, nada
O programa de trabalho da Comissão Europeia para 2026 e a última reunião do Conselho Europeu dão expressão a um desequilíbrio cada vez mais grave. Para os objectivos da guerra, do militarismo, do favorecimento das multinacionais e dos grandes grupos económicos há todo o empenho e mobilização de recursos. Já os problemas económicos e sociais que atingem os povos são desprezados e instrumentalizados para disfarçar aquelas opções.
Pensando nas multinacionais e nos grandes interesses económicos e financeiros, a Comissão insiste na intenção de criação de um offshore legal, designado 28.º regime jurídico, nas propostas de aprofundamento do mercado de capitais que arrastam a privatização da Segurança Social e o favorecimento dos fundos de pensões, na criação de um pacote omnibus de facilidades fiscais e muitas outras medidas vultuosas de promoção do negócio do militarismo e do armamento.
Em contraste, não tem qualquer intenção de tomar iniciativas destinadas a reduzir o custo de vida, a travar a subida dos preços ou a promover a subida dos salários.
Na habitação, a Comissão opta por dar prioridade às questões do arrendamento de curta duração e das regras de construção. Não diz uma palavra nem assume qualquer compromisso com o investimento no alargamento da oferta de habitação pública ou no apoio à construção cooperativa e sem fins lucrativos.
No Conselho Europeu, presidido por António Costa, fazem-se as mesmas opções e disfarça-se da mesma forma. Tratadas as questões que interessam aos grandes interesses económicos, o resto da reunião é fingimento de preocupação com os povos.
Não houve, na última reunião, uma palavra para os baixos salários e pensões, para a degradação dos serviços públicos, para as dificuldades no acesso à saúde, à educação ou à protecção social.
Nem uma palavra sobre os retrocessos nas leis laborais, o aumento da jornada de trabalho até às 13 horas, o aumento da idade da reforma ou o assalto aos sistemas públicos de segurança social que estão em curso em vários países, suportados pela UE, incluindo o pacote laboral do Governo PSD/CDS.
A habitação ficou reduzida a dois parágrafos, sem qualquer referência a medidas urgentes, compromissos de financiamento ou linhas de resposta ao problema.
Sobre a situação na Palestina, alguns apelos ao cumprimento do cessar-fogo em Gaza mas a mesma cumplicidade de sempre com a política de ocupação, colonização e agressão levada a cabo por Israel.
Em contraste, a propósito da dita ‘competitividade’ e a pretexto da suposta ‘simplificação’, anuncia-se redobrado empenhamento em reduzir e aligeirar regras em diversos domínios e promover novas formas de favorecimento das multinacionais.
E insiste-se no fomento da guerra, do aumento das despesas militares, da corrida aos armamentos, reafirmando a determinação da UE no prolongamento da guerra na Ucrânia em que já se gastaram 177,5 mil milhões de euros.
Este é um desequilíbrio decidido e determinado por quem dele beneficia. E é da força dos povos e da sua luta que precisamos para o reverter.




