Defensora da neutralidade e crítica da NATO, Catherine Connolly é a nova presidente da Irlanda
Catherine Connolly, de 68 anos, foi eleita Presidente da República da Irlanda nas eleições realizadas no fim-de-semana. A candidata independente foi apoiada por forças políticas como o Sinn Féin, o Partido dos Trabalhadores, os Sociais-Democratas, o Partido Verde, o Pessoas Acima do Lucro ou o Partido Comunista da Irlanda, assim como por personalidades como Clare Daly e Mick Wallace.
Alcançando 63% dos votos, a maior percentagem de sempre numas eleições desta natureza, Catherine Connolly derrotou Heather Humphreys, que tinha o apoio do partido governamental Fine Gael, de direita, que ficou com 29%. Jim Gavin, candidato apoiado pelo Fianna Fail, liberal, outro partido que integra o governo do país, acabando por desistir ainda antes das eleições, obteve 7% dos votos.
Nas declarações que prestou assim que foram conhecidos os resultados, Catherine Connolly garantiu, entre outros aspectos, que será uma voz pela paz, uma voz que constrói a política de neutralidade da Irlanda.
A Irlanda é constitucionalmente um país neutral, não integrando blocos político-militares, como a NATO. A participação de tropas irlandesas em operações militares no estrangeiro requer obrigatoriamente três condições: a autorização do Conselho de Segurança ou da Assembleia Geral das Nações Unidas, o acordo do governo e a aprovação do Parlamento. Tanto a neutralidade como estas três condições – conhecidas como “Triple Lock” – têm vindo a ser postas em causa por sucessivos governos.
Antiga advogada e psicóloga clínica, actualmente deputada independente eleita por Galway, a nova chefe de Estado irlandesa é fortemente crítica do genocídio que Israel está a cometer na Faixa de Gaza e do apoio que os EUA, o Reino Unido e a UE lhe dão, sendo solidária com a causa nacional do povo palestiniano.
A vitória de Connolly, igualmente conhecida pela sua posição em defesa da neutralidade irlandesa e crítica do militarismo, da NATO, da União Europeia e da sua política belicista, e por ser uma apoiante da reunificação da Irlanda, foi saudada por diversas forças e personalidades progressistas no país.




