Israel mantém bloqueio à Faixa de Gaza e expande colonatos na Cisjordânia

Enquanto na Faixa de Gaza vigora um cessar-fogo acordado entre a resistência palestiniana e Israel – em que se verificam recorrentes violações por parte das forças israelitas, incluindo outras obrigações –, continua a política de expansão dos colonatos e os ataques de colonos e militares israelitas contra as populações palestinianas na Cisjordânia.

Mais de 700 mil colonos israelitas estão na Cisjordânia e em Jerusalém Leste

Lusa


Israel continua a atacar a população palestiniana na Faixa de Gaza. Desde 10 de Outubro, cerca de uma centena de palestinianos foram mortos e 250 foram feridos pelos ataques israelitas. Israel continua a condicionar a urgente entrada na Faixa de Gaza da ajuda humanitária.

A denominada “linha amarela” dentro do território da Faixa de Gaza, para a qual as tropas israelitas se deslocaram, segundo o acordo de cessar-fogo, ameaça transformar-se numa “nova fronteira”, como até já foi denominada por alguns meios de comunicação em Israel.

Os militares israelitas têm colocado marcadores de betão para delimitar as zonas onde se encontram e a que os palestinianos não podem aceder. A linha divide o território da Faixa de Gaza praticamente a meio, encurralando a população palestiniana num espaço cada vez mais exíguo, entre essa linha e o mar, ao qual também lhes é negado o acesso, nomeadamente para a actividade da pesca.

Prevista no acordo está também a troca de detidos. A resistência palestiniana já entregou todos os detidos que tinha em seu poder. As autoridades palestinianas na Faixa de Gaza continuam os seus esforços para recuperar alguns dos corpos dos detidos israelitas que ficaram soterrados sob os escombros em resultado dos sistemáticos bombardeamentos por parte de Israel.

Muitos dos detidos palestinianos libertados por Israel apresentam sinais claros de tortura física e psicológica. O Crescente Vermelho Palestiniano informou que vários detidos palestinianos foram espancados por militares israelitas imediatamente antes de entrarem nos autocarros que os levariam a Ramalá para serem libertados.

Expansão de colonatos
Só este ano foram contabilizados pelas Nações Unidas mais de 1200 ataques cometidos por colonos israelitas na Cisjordânia. Nos últimos dias, quando os agricultores palestinianos e suas famílias procediam à colheita da azeitona, os ataques multiplicaram-se. Há registos de árvores e casas incendiadas e de agricultores palestinianos agredidos.

Entretanto, no dia 22, o Parlamento israelita (Knesset) procedeu à primeira votação de um projecto que impõe a soberania israelita sobre a Cisjordânia, numa violação frontal do direito internacional, designadamente das resoluções das Nações Unidas que determinam que aquele território – juntamente com a Faixa de Gaza e Jerusalém Leste – são parte do Estado da Palestina.

Na realidade, a Cisjordânia está ilegalmente ocupada por Israel que, com o alargamento dos colonatos e de toda a rede viária que os sustentam, aliado aos postos de controlo militar e ao muro de separação, procura colocar em causa a concretização do Estado da Palestina.

Antes da votação no parlamento, um deputado da Frente Democrática para a Paz e Igualdade, Hadash, que integra o Partido Comunista de Israel, denunciando os propósitos do regime sionista, sublinhou que mais de 150 países reconhecerem o Estado da Palestina. O projecto terá de ser submetido a três votações para entrar em vigor.

Actualmente, são mais de 700 mil colonos israelitas que vivem em colonatos ilegais na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

 



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