Cláudia Dias estreia no Seixal nova criação inspirada em Manuel da Fonseca

A Associação Cultural Sete Anos e a Companhia de Dança do Seixal (CD.Sx), fundadas pela bailarina e coreógrafa Cláudia Dias, apresentam, sábado, no Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, o segundo capítulo do ciclo de criação de longa duração «A Coleção do Meu Pai» (2023-2033).

«AMINA» é inspirada no romance Cerromaior


O projecto, que se desenvolve ao longo de uma década em torno de autores neo-realistas da biblioteca do pai da artista, inclui cinco obras apresentadas bianualmente. Depois de «Uma Tremenda Caminhada» (2023), chega agora «AMINA», inspirada no romance Cerromaior de Manuel da Fonseca.

Partindo desse universo literário, a nova criação imagina um território na Margem Sul, «na periferia dos centros de poder, habitada por pessoas cada vez mais diversas entre si, mas unidas por um factor comum: a opressão do capitalismo no seu longo estertor». «Olhamos para o dia-a-dia das pessoas, para questões prosaicas, mas tão impactantes como a qualidade dos transportes públicos, o acesso aos cuidados de saúde, a pobreza energética das habitações, entre outras», refere o texto que apresenta o espectáculo. O mesmo cruza referências como «Mesa Verde», de Kurt Joss, uma obra criada entre as duas guerras mundiais, o livro «Dias Úteis», de Patrícia Portela, onde encontramos a ideia de jogo e de dispositivo da peça, e as vozes e as palavras do Grupo de Acção Cultural – Vozes na Luta, um colectivo de cantores e músicos politicamente empenhados, nascido do período revolucionário em Portugal.

O resultado é uma peça composta por vários jogos, onde a palavra, o beat, o corpo e a manipulação de objectos transmitem uma veracidade possível deste território e o seu respectivo pulsar. O tom, segundo a criadora, «é cru, irónico, cínico e indignado, situando a peça fora do espartilho do politicamente correcto».

O ponto de partida
«A Coleção do Meu Pai – AMINA» é a primeira peça erguida sob a alçada da CD.Sx, fundada em Junho deste ano por Cláudia Dias e Lina Duarte (Sete Anos) com o objectivo de acolher o trabalho coreográfico da criadora. Para além de uma antecâmara de criação para as peças, possui também um programa de formação, oferecendo uma preparação abrangente, conectando a dança com outras artes e preparando jovens artistas para o mundo. O programa inclui disciplinas técnicas e artistas diversificadas, desenvolvendo competências de análise crítica, interpretação e conhecimento artístico, sempre conectados às potencialidades do corpo e da voz. É uma formação que combina teoria, prática e experiência, formando profissionais completos, tanto no aspecto técnico quanto criativo.

A CD.Sx também procura estabelecer-se como uma saída profissional para jovens bailarinos, com a contratação de um corpo de artistas fixo, garantindo condições justas de trabalho com direitos no sector cultural.

 



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