América Latina na mira dos EUA

Cristina Cardoso

A América Latina é rica em recursos naturais

Nos dias 28 e 29 de Outubro, foi discutida e votada, pela 33.ª vez, na Assembleia Geral da ONU, a resolução contra o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA contra Cuba. No relatório apresentado pelo governo cubano, é denunciado que o bloqueio provocou danos e prejuízos de cerca de 7556 milhões de dólares no último ano, um aumento de 49% em relação ao anterior. São mais de 60 anos de bloqueio que têm infligido ao povo cubano graves carências e que a actual administração dos EUA está apostada em agravar, de que é exemplo a manutenção de Cuba na espúria lista de “países patrocinadores do terrorismo”. Tal agressividade também se reflecte na estratégia intimidatória exercida pelos EUA sobre diversos países para os coagir a modificar a posição tradicional que assumiram em apoio à resolução contra o bloqueio. O objectivo de distorcer a imagem de Cuba visa isolar este país e dar cobertura à ingerência dos EUA.

Noutras latitudes, a pretexto do “combate ao narcotráfico”, os EUA decidiram implantar navios de guerra no mar das Caraíbas desde o inicio de Setembro, tendo bombardeado desde então oito embarcações. Fizeram mais de 40 vítimas, que sem nome, sem prova e sem mandato, os EUA assassinaram em águas internacionais. Soma-se as infundadas acusações da administração Trump aos chefes de Estado da Venezuela e Colômbia, Nicolás Maduro e Gustavo Petro, ameaçando-os e impondo sanções ao presidente da Colômbia, às portas das eleições presidenciais de 2026.

Os exercícios militares dos EUA que se realizam por estes dias em Trindade e Tobago, a escassos quilómetros da costa Venezuelana ou a autorização de acções subversivas da CIA dentro do territorio venezuelano, inserem-se numa escalada de agressão que ganha contornos preocupantes e são expressão da intensificação das medidas da administração norte-americana para procurar impor os seus planos para aquela região do mundo. Particularmente na tentativa de derrotar os processos progressistas na República Bolivariana da Venezuela, iniciado em 1999 após a eleição Hugo Chavez, e na Colômbia, cujo governo de Gustavo Petro veio acabar com décadas de domínio da oligarquia colombiana, que havia transformado o país num paraíso do narcotráfico e numa plataforma da ingerência dos EUA contra os povos da América Latina.

As acções de ingerência e agressão do imperialismo norte-americano a países da América Latina e Caraíbas têm ganho novas proporções nas últimas semanas, pondo um sério risco à paz e segurança. São também exemplos desta acção, a imposição de tarifas de 50% ao Brasil, depois da condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe, ou a interferência na Argentina, com a “oferta” de resgate de 20 mil milhões de dólares condicionada ao apoio a Milei nas eleições a meio do mandato, que se realizaram domingo.

Encarada como seu “eterno pátio traseiro” por parte dos EUA, a região latino-americana e caribenha, que possui uma grande riqueza em recursos naturais, apresenta-se como um escape à decadência de um país que enfrenta grandes dificuldades. A instigação da guerra em várias latitudes do planeta é a estratégia do imperialismo norte-americano para subjugar o resto do mundo aos seus ditames, garantindo a sua hegemonia e “salvação”.

 



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