Não levam isto a sério, sujeitam-se
«O bem-estar económico de um país não se mede exclusivamente pela quantidade de bens que produz, mas também tendo em conta a forma como são produzidos e o nível de equidade na distribuição do rendimento.»
«[…] um salário justo “não deve ser inferior ao nível de subsistência” do trabalhador: a justiça natural precede e está acima da liberdade do contrato.»
«Uma distribuição equitativa do rendimento deve ser procurada com base em critérios não apenas de justiça comutativa, mas também de justiça social, ou seja, considerando, além do valor objectivo do trabalho prestado, a dignidade humana dos sujeitos que o realizam.»
«[…] reconhece a legitimidade da greve, […] quando todos os outros métodos de resolução de conflitos se revelaram ineficazes. A greve, uma das vitórias mais difíceis conquistadas pelas associações sindicais.»
«[…] reconhece o papel fundamental desempenhado pelos sindicatos, cuja existência está ligada ao direito de formar associações ou sindicatos para defender os interesses vitais dos trabalhadores empregados nas várias profissões. Os sindicatos nasceram da luta dos trabalhadores — dos trabalhadores em geral, mas especialmente dos trabalhadores industriais — para proteger os seus justos direitos perante os empresários e os proprietários dos meios de produção.»
Trata-se nem mais nem menos que de citações retiradas do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, consultado no site oficial do Vaticano. Vêm tanto mais a propósito quando os trabalhadores portugueses estão perante um iníquo «pacote laboral» e mais um desgraçado Orçamento do Estado. Como poderia deixar de vir à memória a frequente imagem dos figurões da política de direita a assistir à missa? Não é só a Constituição, é que nem mesmo o Vaticano este tipo de católicos respeita.
Hoje é a luta dos trabalhadores e do povo que os espera. E, caso a sua religião tivesse razão, não os esperaria nada de bom no outro mundo.




