Foi dada resposta ao Governo com a grande greve de dia 24

Com a greve nacional da Administração Pública, no dia 24, a maior dos últimos anos, os trabalhadores deram ao Governo a resposta que este merece, perante a falta de soluções para as reivindicações colocadas.

Exige-se mais investimento nos serviços públicos, com valorização dos seus profissionais


A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, que promoveu esta jornada de luta, adiantou, numa nota divulgada ainda na sexta-feira à comunicação social, que a adesão à greve, «em termos gerais, foi de 80 por cento», e situou-se «na ordem dos 90 por cento» nos sectores da Saúde, da Educação, da Segurança Social, das Finanças e da Justiça». Houve «centenas de serviços encerrados e muitas centenas de outros a laborarem só com serviços mínimos».

Ao afirmar que «esta foi a maior greve dos trabalhadores da Administração Pública registada nos últimos anos», a Frente Comum considerou tal facto «demonstrativo de que o Governo deve mudar de política, relativamente àqueles que laboram no sector e aos serviços públicos, que carecem de investimento para o cumprimento das suas funções».

Saudando «todos os trabalhadores que hoje estão a participar na greve nacional», a Frente Comum exortou-os a prosseguirem «a luta por aumentos salariais dignos, pela valorização das carreiras e em defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado».


A Proposta Reivindicativa Comum para 2026, entregue ao Governo para negociação, inclui, entre as prioridades, as exigências de: aumento salarial de 15 por cento, com um mínimo de 150 euros, fixando a base remuneratória em 1050 euros, com efeitos a 1 de Janeiro; subsídio de refeição de 12 euros; reposição do vínculo de nomeação a todos os trabalhadores, acabando com a precariedade, para melhorar os serviços públicos; valorização de todas as carreiras e profissões; revogação do SIADAP (sistema de avaliação criticado por ser injusto e apenas servir para travar a progressão salarial) e, até lá, eliminação das quotas e progressão com quatro pontos.

O Governo, no dia 15, que deveria ser a data do início das negociações com os sindicatos, manteve a mesma proposta, remetendo para a reunião seguinte (marcada para ontem, 29) uma posição diferente. Para a Frente Comum, como então disse Sebastião Santana, isto mostrou que a negociação «está inquinada à partida», porque os valores ficaram já definidos pelo Governo na sua proposta de Orçamento do Estado.

Na nota de imprensa de dia 24, a Frente Comum assinalou que os trabalhadores, com esta greve, «recusam, igualmente, o conjunto de alterações à legislação laboral que o Governo pretende concretizar e que se aplicarão, directa ou indirectamente», na Administração Pública.

Compreende-se, assim, que, num dos primeiros piquetes da madrugada, junto ao Hospital de São José, em Lisboa, tanto Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, como Tiago Oliveira, Secretário-Geral da CGTP-IN, tenham apelado ao prosseguimento da luta, lado a lado com os trabalhadores do sector privado, no dia 8 de Novembro, em Lisboa, na marcha nacional contra o pacote laboral.

As primeiras informações sobre a greve foram dadas pela Frente Comum cerca das 23 horas do dia 23, junto das instalações dos SIMAR, em Loures, e durante a manhã de dia 24: junto da Escola Artística António Arroio (com um dos secretário-gerais da FENPROF), na sede da Segurança Social e no Palácio da Justiça. A Frente Comum promoveu encontros com os jornalistas, junto de trabalhadores em greve, também no Porto (Escola Secundária D. Filipa de Vilhena e Hospital de São João, aqui com a presença da presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá), em Coimbra, Faro, Funchal e Horta.

 

Solidariedade

A FIEQUIMETAL/CGTP-IN, em nota à comunicação social, expressou «toda a solidariedade» à greve, salientando que «esta é também a nossa luta».

O Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo, esteve com os trabalhadores em greve, junto da sede da Segurança Social, comentando (a propósito da discussão do Orçamento do Estado), que a valorização dos trabalhadores e dos serviços públicos não é feita pelo Governo por «uma questão de escolha» e não por falta de dinheiro.

A solidariedade do PCP aos médicos em greve foi prestada, junto do Hospital de São João, por Jaime Toga, da Comissão Política do Comité Central do Partido. Considerou inaceitável a tentativa do Governo de impor deslocações de médicos entre unidades de saúde, reafirmando a exigência de «respeito pelos profissionais e investimento para reforçar os serviços públicos».

O candidato presidencial António Filipe marcou presença solidária junto da Escola António Arroio, notando que o País «precisa de bons serviços públicos» e que «as carreiras da Administração Pública sejam atractivas».



Mais artigos de: Trabalhadores

«Caminhada» de reformados em Lisboa

A Inter-Reformados e a União dos Sindicatos de Lisboa organizaram, na tarde de quarta-feira, dia 22, uma «Caminhada por Respeito e Melhores Pensões», desde a Alameda D. Afonso Henriques, até ao Ministério do Trabalho, na Praça de Londres, onde foi aprovada uma moção, dirigida à ministra. Os...

Greve na Intelcia

Os trabalhadores da Intelcia cumprirão, no dia 6 de Novembro, uma greve de 24 horas em toda a empresa, na sequência de uma greve intermitente durante Outubro. Com a acção, os trabalhadores exigem, afirma o SINTTAV, que a empresa negoceie, «sem quaisquer preconceitos», com este sindicato, o caderno reivindicativo, que...