- Nº 2710 (2025/11/6)

Por uma economia ao serviço da maioria

Eleições

A tarde de sexta-feira ficou marcada por uma mesa redonda que, sob o mote «Situação económica, Constituição da República e o futuro do País», juntou vários economistas numa preciosa discussão. No Hotel Roma, discutiram-se os entraves do presente, denunciaram-se as manobras de propaganda e distracção e apontaram-se caminhos de futuro.


Um Presidente da República não pode ser neutro. Não pode ser neutro perante o sistemático incumprimento da Constituição, perante o ataque à vida de quem cá vive e trabalha e, também, perante o estado de perda de soberania produtiva e económica a que o País chegou. As questões da economia, pela sua dimensão política, não podem estar arredadas da discussão nestas eleições. Compreendendo esta importância, a conversa da passada sexta-feira assumiu particular importância, quer pela riqueza dos contributos, como pela pertinência dos tópicos.

Na mesa redonda, participaram, entre outros, Agostinho Lopes, Catarina Morais, Demétrio Alves, Eugénio Rosa, João Peixoto, Jorge Pisco, José Lourenço, Miguel Tiago, Nuno Teles, Paulo Coimbra, Ricardo Cabral, Tiago Cunha e Vasco Cardoso..

À altura da responsabilidade
Após as intervenções dos economistas, o candidato presidencial deixou algumas notas relativas à situação económica do País.

«Alguém que é eleito pela maioria absoluta dos cidadão eleitores», não se pode «limitar a pairar sobre os problemas», acredita António Filipe. As componentes «económica, social e cultural» da Constituição, são «parte fundamental» de um entendimento pleno da mesma, sem o qual é impossível ter uma conduta correcta enquanto Presidente.

A «subordinação crescente da economia do País ao domínio dos grupos económicos e das multinacionais», «a perda de instrumentos de soberania económica e a crescente subordinação externa», «a necessidade de valorizar a produção nacional como factor de desenvolvimento» e questões ligadas à justiça social foram os principais pontos abordados.

Perante a actual situação económica do País, agravada pelos perigos que a situação internacional comporta, não é possível ser neutro. Aceitar uma posição de subserviência, as limitações orçamentais impostas e as repetidas teses de que «Portugal é um País pobre», é contrariar a Constituição e o caminho que esta aponta. O caminho de um País independente e soberano, que diversifique as suas relações e se afirme no quadro internacional.

O que é verdadeiramente necessário é uma «voz firme na presidência da República», «no sentido da independência nacional». Só levando a sério aquilo que está escrito na Constituição, nomeadamente no plano económico, será possível retomar o caminho de Abril.



Afirmar a realidade
Antes da intervenção de António Filipe, ouviram-se mais de uma dezena de contributos, onde se trataramimportantes temas ligados à situação económica e social. Aspectosrelacionados coma justiça fiscal, a segurança social, o sistema bancário, a cada vez mais desigual distribuição de rendimentos entre o trabalho e o capital, até à produção de energia e o investimento público. Ficaram claras as reais possibilidades do País, que têm ficado por explorar graças às imposições da UE, aos criminosos processos de privatização e à diminuição da capacidade produtiva.

A sessão completa está já disponível nas redes sociais da campanha.


Regiões Autónomas resistem e dizem presente

A campanha presidencial de António Filipe passou pelas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

As principais iniciativas destas deslocações foram, no caso dos Açores, o encontro com apoiantes em São Miguel e, no caso da Madeira, a sessão pública de apoio realizada na Universidade da Madeira.

Em ambos os casos, ficou clara a existência de muita força para continuar a dar combate aos tempos difíceis que aí estão, com firmeza e confiança, independentemente das dificuldades. Érica, jovem que fez parte da mesa da sessão no Funchal, afirmou que esta é uma «uma candidatura necessária para Portugal e para a Região Autónoma da Madeira». Como «jovem que defende as conquistas de Abril», referiu ainda que dificilmente se conseguiria «rever em qualquer outro candidato».

Para além da presença nestes momentos, António Filipe realizou ainda um conjunto de contactos e reuniões.

Nos Açores, o candidato reuniu com a Associação Agrícola de São Miguel e com o Juiz Presidente da Comarca dos Açores. Participou ainda, a convite da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, num jantar-conferência, em Angra do Heroísmo. Na sua intervenção, denunciou a injustiça fiscal a que as MPME estão sujeitas, apontando soluções como o reforço do investimento público e a dinamização do mercado interno, através do reforço do poder de compra.

Já na Madeira, a visita começou com dois encontros. O primeiro, com a presidente da Assembleia Legislativa e, de seguida, com o Representante da República para a Região Autónoma da Madeira. Já na terça-feira, o candidato presidencial esteve reunido com a União dos Sindicatos da Madeira, da parte de manhã, antes de realizar uma acção de contacto junto dos trabalhadores dos Viveiros da CM do Funchal. Uma candidatura distinta, sempre ao lado de quem vive do seu trabalho, escutando e assumindo um papel firme e activo na luta dos trabalhadores, desde já, com a presença na Marcha Nacional do próximo sábado.

 

Na Marinha Grande com a «Constituição que nos une»

A sala da galeria do Operário Marinhense, na Marinha Grande, encheu-se por completo, na passada quinta-feira, para receber a iniciativa com o mote “A Constituição que nos une”. Participada, viva e com muita alegria, desde o momento em que os primeiros apoiantes chegavam à sala e prontamente se dirigiam ao quadro de José Afonso que se destacava na galeria até às bem audíveis palmas que encerraram a sessão.

Após um momento musical proporcionado por Roberto Batista, a sessão abriu com a apresentação de Hugo Domingues, operário vidreiro. Apresentou a mesa da sessão, composta por João Norte, do Comité Central do PCP, Odete Alves, reconhecida pela sua intervenção na área do desporto, e ainda Geraldo Viola, economista e dirigente associativo.

António Filipe valorizou o património de luta do concelho, desde a Revolta da Marinha, que completa 92 anos no dia das eleições presidenciais, às grandes lutas dos operários vidreiros que ele próprio acompanhou, na altura, enquanto deputado. «A Marinha Grande é um grande exemplo da luta do povo português», luta com ainda muitos capítulos por escrever, no caminho da emancipação dos trabalhadores e do povo.

Para o candidato, o «conjunto de direitos fundamentais de natureza progressista», presentes na Constituição, não podem continuar a ser ignorados. Este documento, que é «o bilhete de identidade da Revolução», não é letra morta, mas sim um «instrumento político», cujo cumprimento é, em si, um «campo de luta».

Após a intervenção inicial em que abordou as diferentes vertentes em que a Constituição aponta um caminho distinto, falou ainda sobre algumas outras temáticas que foram surgindo, como os recentes apelos à sua desistência. Sobre estes, António Filipe reiterou que esta é a candidatura da unidade entre «todos os que se identificam com os valores de Abril», reforçando a centralidade duma real convergência de todos os democratas em torno da defesa da Constituição. Transformou ainda uma icónica frase do antigo seleccionador nacional, Luiz Felipe Scolari, dirigindo-se aos ansiosos pela sua desistência, afirmando: «não digam que o sectário sou eu».

De muitas outras intervenções se fez esta sessão. Desde as intervenções dos membros da mesa, aos muitos apoiantes que reforçaram a pertinência e importância desta candidatura. Uma destas apoiantes, professora e dirigente associativa, afirmou que o seu apoio se devia à sua convicção de que o «País precisa de um presidente coerente, íntegro e profundamente comprometido com os valores da democracia e da justiça social». Outro apoiante, que recordou os seus tempos enquanto aluno de António Filipe na Universidade Lusófona, acredita que esta é uma candidatura em que se constroem muitos «pontos de contacto», sendo que uma prova dessa afirmação residiu na presença de vários democratas com «outras simpatias políticas», nesta sessão.