Grupo Parlamentar do PCP propõe primeiras alterações ao OE

Resposta aos problemas do povo «é possível e é exequível»

O Grupo Parlamentar do PCP divulgou, no dia 29 de Outubro, em conferência de imprensa da sua líder parlamentar, Paula Santos, as primeiras propostas de alteração ao Orçamento do Estado (OE) aprovado, na generalidade, no dia anterior. Na segunda-feira, coube ao deputado Alfredo Maia apresentar um outro conjunto de propostas.

«Rumo alternativo para o País»


A deputada sublinhou que, passada a fase de discussão e votação na generalidade, o PCP intervirá com «propostas que comprovam que é possível e é exequível a concretização de uma política que se centre na resposta aos problemas sentidos todos os dias pelos trabalhadores, os reformados e a juventude.

Exemplo disso, além das alterações ao OE propostas pela bancada comunista, é o projecto de resolução do PCP, apresentado naquela manhã, que propõe que a Assembleia da República recomende que o Governo proceda ao aumento do salário mínimo nacional para 1050 euros, com efeitos a 1 de Janeiro de 2026. A proposta é, no entender dos comunistas, essencial para acompanhar a inflação e a produtividade do País, romper com insuficiências (como a “actualização” de apenas 50 euros em 2025), repor poder de compra, estimular o consumo como alavanca da economia, assegurar mais justiça na distribuição da riqueza e impulsionar o aumento geral dos salários.

A líder parlamentar deixou, ainda, o compromisso, que se concretizou dias depois, com a apresentação de novas iniciativas por Alfredo Maia, de que os comunistas continuarão a propor alterações ao OE nas mais diversas áreas, apresentando, ainda, propostas que irão dar suporte material e financeiro às medidas defendidas, mostrando «que é possível resolver problemas concretos» e apontar «um rumo alternativo para o País».

«Desigualdades e injustiças»

Para a deputada, o debate do OE «evidenciou as consequências das opções políticas que nele constam», as quais o PCP denunciou e combateu por saber que «conduzirão a mais desigualdades e injustiças».

É o caso, lembrou, da redução do IRC, benefícios fiscais, PPP e volumosas transferências de recursos públicos para os privados, verdadeiras «benesses atribuídas ao grande capital» que contrastam com a política de baixos salários e pensões e ataque aos serviços públicos.

«Ao mesmo tempo, neste exercício orçamental, ficou evidente que a única coisa que importa ao Governo, em vez de trabalhar para resolver os problemas do povo e do País, é ter um excedente orçamental à custa do investimento público, comprometendo o futuro, o que significará futuros défices, seja no plano orçamental, seja no plano produtivo e, até mesmo, demográfico», destacou.

Defender o País e tributar os “grandes”

Na apresentação de propostas em matéria de justiça fiscal e defesa do interesse nacional, no dia 3, Alfredo Maia frisou que «o País tem meios e recursos, que são essenciais para reforçar os serviços públicos», impondo-se, por isso, mais justiça fiscal e a defesa do interesse nacional.

Tributar os lucros dos grupos económicos, combater a evasão fiscal, garantir um IRS e um IVA mais justos, baixar a tributação das MPME e pôr fim às PPP e à privatização da TAP são as áreas-chave deste conjunto de medidas.

 

Medicamentos gratuitos

Aplicável a utentes com mais de 65 anos, doenças crónicas ou insuficiência económica

Protecção da habitação arrendada

10 anos de contrato e limites aos despejos, denúncia de contratos e novas rendas

12 € de subsídio de refeição na Função Pública

Valor mínimo diário para todos os trabalhadores em funções públicas

Aumentos salariais na Função Pública

Valorização negociada na Administração Pública e sectores empresariais

Mais 5% nas pensões

Mínimo de 75 €, aplicável a todos os pensionistas

Gás engarrafado até 20 €

Fixação do preço máximo do GPL butano engarrado (13kg)

Valorização da carreira docente

Retoma da negociação adiada pelo Governo

Fim das propinas, taxas e emolumentos

Em dois anos lectivos, aplicável a todo o ensino superior público

Rede pública de creches

Criação em 2026 com universalização até 2031

Dedicação exclusiva no SNS

Majoração de 50% na remuneração base aos profissionais que aderirem

Repor os 21% na taxa de IRC

IRC progressivo, com 12,5% até 15 mil € e 15% entre 15 e 50 mil €

Grandes lucros tributados em 5%

Agravamento da derrama estadual nas grandes empresas com lucro superior a 50 milhões €

Fim da fuga aos impostos

Tributação dos lucros gerados pelos grupos nacionais mas sediados no estrangeiro

Revogação dos benefícios fiscais

Benefícios aos grandes grupos privam o Estado de 1 800 milhões € de receita

0,8% sobre o património mobiliário

Acções, depósitos bancários e outros produtos financeiros superiores a 1 milhão €

35% sobre transferências para off-shores

Taxa especial para combater a fuga de capitais para paraísos fiscais

Tributação dos criptoactivos

Aplicável às mais-valias, com a punição penal pelo seu uso em actividades ilícitas

5 424 € de dedução específica

Actualização deste valor em sede de IRS

Rendimentos prediais e de capitais no IRS

Englobamento obrigatório para os contribuintes a partir do 9.º escalão (83 696 €)

Criação do 10.º escalão no IRS

Para rendimentos superiores a 250 mil €, com inclusão da TAS

Mais 4,6% em cada escalão do IRS

Subida dos montantes de rendimento colectável superior aos 3,51% do Governo

6% de IVA em bens essenciais

Aplicável a alimentos, electricidade, gás natural e de botija e telecomunicações

Eliminar a dupla tributação do ISP

Fim do IVA pago no Imposto sobre Produtos Petrolífero e Energéticos

Menos 15% para as MPME

Desagravamento das tributações autónomas nas viaturas, com isenção na primeira

Fim das PPP

Reversão para o Estado dos contratos de parcerias público-privadas

Cancelamento da privatização da TAP

Manter pública esta empresa estratégica e fundamental