- Nº 2711 (2025/11/13)
As Ilhas Britânicas são conhecidas pelo seu clima particularmente chuvoso, mas períodos houve na sua história em que a situação se agravou de tal modo, com prolongados períodos de tempestades e inundações, que as condições de vida se degradaram de forma devastadora. As chuvas intensas e persistentes registadas durante todo o Verão e Outono de 1314 e na maior parte de 1315 e 1316 tiveram consequências terríveis. As sementeiras apodreceram no solo, as colheitas goraram-se e o gado morreu afogado ou de fome. As reservas de alimentos acabaram e o preço dos bens essenciais, como vegetais, trigo, cevada e aveia, disparou. O pão, para além de caro, era de fraca qualidade, já que os grãos não secavam devidamente. O sal, única forma de curar e conservar carne à época, tornou-se escasso e o preço disparou, já que era difícil extraí-lo nas condições atmosféricas adversas. A situação piorou tanto no Inverno de 1315/1316 que os camponeses comeram as sementes guardadas para plantar na Primavera. Houve rumores de canibalismo. O início da Grande Fome coincidiu com o fim do Período Quente Medieval e o início de uma Pequena Era Glacial. A crise só terminou em 1322. Estima-se que a situação, que afectou também a Europa continental, tenha ceifado mais de 5% da população britânica e 25% da população europeia.