Venezuela defende a paz e a soberania

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que já sabe o que fará relativamente a um eventual ataque militar contra a Venezuela, mas não o revelou. O silêncio dos governos “ocidentais” face a esta possível agressão é ensurdecedor.

Os EUA querem apoderar-se das imensas reservas de petróleo da Venezuela

Tal como o Avante! noticiou na passada edição, a administração norte-americana está a estudar diversas opções militares relativamente à Venezuela: da agressão aberta à tentativa de assassinato ou rapto do presidente Nicolas Maduro, passando pelo aumento da pressão militar visando provocar um golpe interno. A acção, seja ela qual for, até já tem nome: “Operação Lança do Sul”.

Que todas as opções acarretam riscos para o imperialismo, dado o grau de organização popular e militar da República Bolivariana da Venezuela, fica evidente quer na hesitação em desencadear as operações quer na dimensão dos meios concentrados no Mar das Caraíbas, os maiores desde a invasão do Iraque, em 2003: desde há dois meses que os EUA vêm transferindo para junto das costas venezuelanas navios, submarinos, aviões e milhares de soldados. Um dos navios militares deslocados para a região é o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, que até ali se encontrava no Mar Mediterrâneo.

Nos últimos dias tiveram lugar vários encontros de alto nível em Washington, entre autoridades políticas e militares, para tomar uma decisão. Na sexta-feira, Donald Trump assegurou que já sabia o que fazer, mas que não ia revelar.

Defender o país «com honra e amor»
Entretanto, na Venezuela, prossegue a preparação para enfrentar uma possível agressão militar norte-americana. Para lá do papel a desempenhar pelas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), aprofunda-se a organização popular com o desenvolvimento dos Comités Bolivarianos de Base Integral, com múltiplas funções entre as quais de defesa. Foram já constituídos 235 mil destes comités em todo o país.

Num comício recente, Nicolas Maduro dirigiu-se directamente ao povo norte-americano: «Guerra nas Caraíbas? Não! Guerra na América do Sul? Não! Guerra eterna? Não! Paz? Sim! Paz para a América? Sim!» Maduro acusou os EUA de travarem uma «guerra criminosa» contra a Venezuela e reafirmou que os venezuelanos não querem ser escravos dos imperialistas norte-americanos. A maioria do povo, garantiu, está preparada para «defender este país com honra e amor» e está todos os dias nas ruas a apelar à paz. A força da Venezuela, insistiu o Chefe de Estado, «será sempre a do povo e não a dos oligarcas ou dos imperialistas».

Na oposição às forças bolivarianas, há quem rejeite a agressão externa e quem a defenda e promova. Entre estes últimos conta-se a líder da extrema-direita golpista Maria Corina Machado, recentemente galardoada com o desacreditado Prémio Nobel da Paz, para quem está próxima a “libertação” da Venezuela – é isto que chama a uma possível invasão militar estrangeira contra o seu país.

Silêncio submisso
A generalidade dos governos dos países europeus, Portugal incluído, nada dizem face a uma possível agressão dos EUA à República Bolivariana da Venezuela. Trata-se de mais uma expressão de submissão aos interesses hegemónicos do imperialismo norte-americano, patente em tantas outras ocasiões: da agressão ao Iraque, em 2003, ao autêntico “suicídio económico” na sequência da escalada do conflito no Leste da Europa e das sanções impostas à Rússia, que prejudicaram acima de tudo as economias dos países europeus em benefício dos EUA.

No caso do Governo português, este silêncio é tão mais grave porque expressa também uma profunda desconsideração pelas centenas de milhares de emigrantes portugueses naquele país sul-americano, que não deixarão de sofrer com um eventual ataque norte-americano, como já hoje sofrem os efeitos do bloqueio e das sanções impostos à Venezuela.

 

PCP contra agressão militar

Num comunicado divulgado anteontem, 18, o PCP «condena as graves e inaceitáveis acções belicistas e ameaças de agressão militar contra a República Bolivariana da Venezuela por parte da Administração Trump que, a coberto de falsos pretextos, visam impor o domínio e o saque dos imensos recursos deste país pelo imperialismo norte-americano». Para o Partido, a instalação de «poderosos meios militares ofensivos dos EUA e as recorrentes acções de provocação que estes protagonizam no Mar das Caraíbas» constituem não só uma séria ameaça à paz, à segurança, à soberania e aos direitos do povo venezuelano, como também de outros povos da região.

O PCP critica ainda o silêncio do Governo português perante esta chantagem e as provocações belicistas dos EUA, «assim como a sua não denúncia e condenação das ameaças de agressão militar afirmadas pela Administração Trump contra a Venezuela», país onde vivem centenas de milhares de portugueses.

A escalada intervencionista e a acção subversiva do imperialismo norte-americano contra a Venezuela representam a continuação, agora por meios militares, «da política de ingerência, de bloqueio e de desestabilização que o imperialismo prossegue desde há 25 anos com vista a derrotar o processo bolivariano e o que este representa de afirmação de soberania, de defesa de direitos e de opção por um caminho progressista para o povo venezuelano, mas também para os povos de todo o mundo».

Reafirmando que o povo venezuelano e os outros povos latino-americanos e caribenhos têm direito e aspiram à Paz», o PCP reitera a exigência do fim das chantagens, ameaças, provocações e acções hostis dos EUA. E reafirma a solidariedade com a Venezuela Bolivariana e a luta do povo venezuelano em defesa da sua pátria, assim como com a luta dos povos cubano, colombiano, nicaraguense, brasileiro e dos outros povos latino-americanos e caribenhos em prol da soberania e independência nacionais, da Paz e do progresso social.

 

Denúncia e solidariedade

Como o CPPC tinha denunciado num comunicado recente, as reais intenções subjacentes a um eventual ataque norte-americano contra a República Bolivariana da Venezuela não eram as apregoadas: não está em causa qualquer envolvimento das autoridades venezuelanas com o narcotráfico, que nenhum relatório credível sustenta (os cartéis referidos, aliás, nem sequer existem), mas a intenção dos EUA de se apoderarem, «de novo, dos imensos recursos naturais da Venezuela, país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo e é rico em gás natural, ouro, água doce e diversos minerais raros de grande utilização industrial».

Somando a tudo isto as ameaças dirigidas à Colômbia, a intensificação do bloqueio contra Cuba, as medidas coercivas contra a Nicarágua ou as pressões e as medidas económicas e políticas contra o Brasil, o México e outros países, fica evidente o real objectivo do imperialismo norte-americano: procurar impedir a «afirmação da soberania e o direito ao desenvolvimento dos povos latino-americanos e caribenhos».
O CPPC apelava ainda, nessa nota, à solidariedade com a Venezuela bolivariana e com os povos latino-americanos e caribenhos.

 



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