Governo aprofunda rumo de desmantelamento no SNS

Paulo Raimundo visitou, no dia 13, o Hospital Amadora-Sintra. À porta, em declarações, o Secretário-Geral salientou que o caminho do Governo nesta área é o de piorar a resposta aos utentes, criando, em simultâneo, grandes oportunidade de negócio para o sector privado.

Mais de metade da despesa corrente do SNS é entregue ao sector privado

«Conhecemos a realidade, desde logo a falta de profissionais, num hospital que foi idealizado para servir entre 250 mil a 300 mil utentes e que tem de responder ao dobro deste número», começou por salientar Paulo Raimundo antes de visitar o Hospital Amadora-Sintra e contactar com o seu conselho de administração. «Numa área», continuou, «onde um terço da população está sem médico de família, o que faz com que muitos mais problemas desemboquem nos serviços de urgência».

Ao falar sobre a saúde, para o dirigente é importante não esquecer um segundo factor: o da «propaganda e ilusão por parte do Governo» relativamente a um suposto aumento nos valores do Orçamento do Estado (OE) na saúde. «Sabemos que não é assim. Desde logo porque mais de metade da despesa corrente com o SNS é para ser entregue directamente aos privados», afirmou.

«Por outro lado, acresce a isto uma nova tentativa de corte. Quer dizer, mais cortes aonde? Nos profissionais, nos gastos intermédios?», questionou. «Não precisamos de mais cortes, mas sim de mais profissionais, neste hospital e no País inteiro. Mais médicos, enfermeiros e técnicos, gente que precisa de ser valorizada e respeitada», sublinhou.

«Os números e as dificuldades falam por si», afirmou o dirigente criticando o conteúdo da proposta de OE que não prevê a contratação de «nem mais um profissional» e «diminui ou acaba com urgências». «Isto leva-nos a uma maior situação de fragilidade na vida» e torna «banais» os dramas que têm envolvido «grávidas, bebés, nascimentos e resposta de emergência», lamentou.

Sem «soluções milagrosas», atrair profissionais para SNS

«Se as carreiras forem valorizadas, se houver perspectivas de progressão de carreira, se os profissionais forem respeitados e se houver valorização de direitos, em particular em matéria salarial, os profissionais serão atraídos para o SNS. Há um compromisso em servir a população e isso só é possível com um serviço público», respondeu quando questionado sobre a falta de profissionais no SNS.

A terminar, o Secretário-Geral valorizou ainda a dedicação de todos os profissionais do SNS: «apesar das dificuldades todas, dos problemas, da falta de profissionais, desta falta de capacidade de resposta, queríamos valorizar muito o empenho dos profissionais que trabalham neste hospital e no SNS. Estes que são os que dão a resposta possível aos problemas e às pessoas».

 

Mãe e bebé morreram no Amadora-Sintra

No dia 5, em comunicado conjunto, as concelhias de Sintra e da Amadora do PCP reagiram ao caso da mãe e bebé que perderam a vida, no Hospital Amadora-Sintra, no início do mês – «acontecimento de extrema gravidade, que se soma aos constantes problemas que afectam a ULS Amadora-Sintra».

Para as concelhias comunistas, são particularmente censuráveis as declarações prestadas pela ministra da Saúde que, «descartando-se de responsabilidades enquanto revelava o histórico clínico de uma paciente do SNS, colocou na mãe o ónus da deficiente prestação de cuidados de saúde» que culminaram no desfecho trágico.

Esta e outras situações são «consequência do desinvestimento constante e intencional no SNS, por parte de sucessivos governos PSD, CDS e PS, com apoio do CH e IL».

O PCP prestou, desta forma, as suas mais profundas condolências à família da mulher e criança falecidas.

Afunilamento de serviços

Em Torres Novas, motivado pela ameaça de encerramento do serviço de pediatria e de deslocação da Maternidade do Médio Tejo Alto do Hospital de Abrantes, o PCP realizou, ontem, um protesto junto ao hospital do concelho torrejano.

Também no Porto, num comunicado de dia 8, a Direcção da Organização Regional do PCP afirmou que a proposta do Ministério da Saúde para reformular a Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria resultará no «afunilamento de serviços no distrito do Porto, desclassificando hospitais com capacidade instalada e sobrecarregando os Hospitais de Santo António e São João».

 

 



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