- Nº 2713 (2025/11/27)Enquadrado numa iniciativa da Confederação do Desporto de Portugal, António Filipe participou numa parte da cimeira que junta todas as federações desportivas nacionais. No Hotel Melia, abordaram-se os desafios e potencialidades do desporto, assim como as grandes barreiras que estão colocadas.
«1.Todos têm direito à cultura física e ao desporto. 2.Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.» O artigo 79.º da Constituição não deixa espaço para dúvidas, o problema surge na distância entre a lei e a realidade vivida nos bairros, associações e clubes pelo País fora.
Os representantes das federações desportivas descreveram a dimensão que o desporto assume no País, caracterizando-o enquanto «cultura, coesão territorial e desenvolvimento social», um sector que «cria um dinamismo extraordinário», movimentando «vilas e cidades assim como os seus locais de comércio, colectividades e transportes». Este movimento encontra a sua raiz na componente «associativa e adepta» que move milhões, assim como nos seus praticantes, entre eles, os milhares de crianças que vemos, todos os dias, a caminhar para os seus treinos.
O desporto é também saúde, assumindo um papel na prevenção de doenças. Hoje, num País cada vez mais «sedentário» e com «elevadas taxas de obesidade infantil», esta componente ganha particular importância. É ainda educação, constituindo um «espaço privilegiado de partilha e transmissão de valores e sentido colectivo». Os campos, pavilhões e arenas desportivas são os espaços onde muitos jovens sentem, pela primeira vez, a euforia da vitória e a desilusão da derrota. Assim crescem e desenvolvem novas qualidades, neste inevitável confronto com as suas emoções.
Como é possível, então, que esta «poderosa ferramenta para mudar a sociedade», continue a ser descurada? «O apoio tem sido parco», «ao longo das últimas duas décadas as federações perderam poder de compra». Uma política orientada pelo lucro e o mediatismo não serve o desporto, os seus praticantes, adeptos e estruturas. Importa combater este estado de coisas e pensar o desporto com a globalidade que ele merece.
No final da sua intervenção, o presidente da Confederação deixou ainda o desafio a António Filipe de, enquanto Presidente, presidir a uma destas reuniões anualmente, assim como o de adoptar uma postura relativamente às condecorações que as trate como espaços de igualdade e valorização das modalidades.
«De dimensão enorme»
O desporto é um «fenómeno social de dimensão enorme», crê António Filipe que abordou o seu lado educativo, defendendo a «valorização da educação física e do desporto escolar».
Quanto ao financiamento, para além de insuficiente, o candidato afirma ainda que há uma «excessiva dependência dos jogos sociais».
O investimento e a valorização do desporto em todas as suas vertentes são essenciais, tanto para a generalização da prática desportiva, como para a melhoria dos resultados no alto rendimento, condições que se alimentam mutuamente. Relativamente a estes aspectos, António Filipe referiu a importância da criação de infra-estruturas como o velódromo de Sangalhos, para o ciclismo, e de várias piscinas olímpicas ao longo dos últimos anos.
«O que é preciso é dar tradução ao artigo 79.» A formação integral da pessoa prende-se também com uma relação positiva com a cultura física, numa elevação constante das diferentes dimensões do ser humano, onde a parte física não pode ser esquecida.
Projectar o futuro
As federações apresentaram ainda um documento em torno das prioridades políticas para o presente momento. O quadro é difícil, com a «percentagem de praticantes abaixo dos 10% da população» e a taxa de inactividade física nos 73%. «O Estado deixou o movimento associativo, praticamente, entregue à sua sorte, assumindo que com os recursos que lhe destinava o sector conseguia sobreviver.»
Face a esta realidade, a Confederação afirma cinco prioridades: «implementação do plano estratégico para o desporto», um «novo modelo de financiamento do desporto nacional», «mais educação física», «mais desporto no serviço público de rádio e televisão» e a «criação do Ministério do Desporto».