- Nº 2713 (2025/11/27)
«Prometemos que nos lembraremos desta unidade, forjada neste mês de Novembro de 1945. Não apenas hoje, esta semana ou este ano, mas sempre. Até que tenhamos construído o mundo com que sonhamos e pelo qual lutamos. Comprometemo-nos a construir a unidade da juventude mundial. Todas as raças, todas as cores, todas as nacionalidades, todas as crenças. Eliminar todos os vestígios de fascismo da Terra. Construir uma amizade internacional profunda e sincera entre os povos do mundo. Manter uma paz justa e duradoura.»
Este é um excerto da declaração adoptada pela Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) na sua conferência fundadora, realizada em Londres a 10 de Novembro de 1945, onde estiveram representantes de 63 nações – com diferentes línguas, tendências políticas e crenças religiosas. Unia-os a defesa da paz e dos direitos da juventude e o combate ao fascismo, ao imperialismo e ao colonialismo: “Jovens, uni-vos! Por uma paz duradoura” é ainda hoje o lema da Federação, impresso no símbolo junto a três rostos, de perfil – um europeu, um asiático e um africano.
Em missões, campanhas e nas várias edições do Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, a FMJD, as organizações que a integram e os jovens progressistas de todo o mundo reforçaram laços de solidariedade: em 1953, no 4.º festival, a delegação portuguesa integrava jovens das então colónias, que ali desfilaram autonomamente, em nome dos seus países que haveriam de ser livres; Sófia transformou-se, em 1968, na capital mundial da luta contra a agressão imperialista ao Vietname e a ocupação da Palestina por Israel; em 1997, Cuba acolheu a 14.ª edição, garantindo a continuidade do movimento dos festivais e recebendo o apoio de milhares de jovens de todo o mundo, num dos momentos mais difíceis da sua história. Para o ano, em Caracas, o 20.º festival reafirmará o direito dos jovens venezuelanos à paz e ao desenvolvimento soberano...
Essa solidariedade recíproca esteve presente, há dias, no 13.º Congresso da Juventude Comunista Portuguesa (que integra a FMJD e desde há meses assume a sua presidência): nas intervenções dos revolucionários vindos da Palestina, de Cuba e da Venezuela; nos depoimentos enviados da África do Sul, Alemanha, Angola, Bangladeche, Bélgica, Brasil, Chipre, Colômbia, França, Líbano, Moçambique e Sri Lanka; nas delegações presentes; nas mensagens recebidas; nas moções aprovadas.
E, mais importante, no que tantos jovens (alguns muito novos) ali aprenderam: que a juventude de todo o mundo partilha sonhos, aspirações e lutas; que tem direito a ser livre, realizada e feliz; que a divisão serve sempre – e apenas – à ínfima minoria de exploradores. Em tempos de promoção do ódio e da guerra, convenhamos, isto tem um enorme significado – e revela que há forças para construir o futuro.