Pelo nosso futuro: vamos à Greve Geral!

João Luís Silva (Membro da Comissão Política)

“este Pacote Laboral é um insulto que exige rejeição”

Há pouco mais de duas semanas, o Pavilhão Carlos Queiroz, em Oeiras, era palco do 13.º Congresso da JCP, uma extraordinária realização dos jovens comunistas e expressão ímpar da realidade e luta da juventude portuguesa. Naqueles dois dias, nas perto de cem intervenções, sobressaíram duas ideias importantes.

A primeira é que nenhuma outra organização em Portugal poderia ter no seu congresso testemunhos tão profundos da realidade e dos problemas da juventude e declarações tão vivas e combativas sobre as lutas recentes contra as propinas, em defesa da Escola Pública ou contra a precariedade, transmitidas pelos seus dirigentes e protagonistas, como teve a JCP. A segunda é que, ao contrário do que a teia neoliberal e as forças reaccionárias procuram impor no espaço mediático, a ruptura com a política de direita é um imperativo para garantir um futuro para a juventude do nosso País.

O Governo PSD/CDS leva a cabo uma intensa operação para acelerar a sua política reaccionária contra os trabalhadores e a juventude. A política do Pacote Laboral, do desmantelamento da Escola Pública e do SNS, da elitização do Ensino Superior, das privatizações, da especulação imobiliária, em que Orçamento do Estado de 2026, aprovado com a abstenção do PS, que ilibou IL e CH de votarem a favor de um documento com o qual concordam, é uma peça fundamental.

Foi nesse quadro exigente que, contudo, o aumento das propinas foi chumbado na Assembleia da República. No 13.º Congresso da JCP muitas foram as intervenções sobre a dinamização da luta contra as propinas, envolvendo milhares de estudantes em diversas acções por todo o País, que culminaram na manifestação de 28 de Outubro. O aumento das propinas – dado como adquirido pelo Governo – só foi possível travar pela luta dos estudantes, que condicionou o debate e opções de outros, e pela firmeza do PCP e da JCP, que nas últimas décadas nunca abandonaram a reivindicação do fim das propinas.

Outra das peças que o Governo procura impor é o criminoso pacote laboral, uma declaração de guerra aos trabalhadores e em particular aos mais jovens. “Um pacote laboral para os jovens”, “modernização”, “aumento da produtividade”, “criar riqueza para depois a distribuir”, “despedimentos mais fáceis geram emprego para os jovens” são algumas das linhas de ofensiva ideológica amplificadas pelo patronato e pelos partidos do Pacote Laboral – PSD, CDS, IL e CH – que esbarram na realidade que vivemos.

Num País em que a precariedade afecta cerca de 60% dos jovens trabalhadores, em que 2,5 milhões de trabalhadores recebem menos de 1000 euros e 52% dos jovens até aos 25 anos recebem até 900 euros líquidos, em que a esmagadora maioria dos novos contratos são precários, em que 30% dos jovens entre 15 e 39 anos nascidos em Portugal emigraram e em que se deram mais de 400 processos de despedimento colectivo só entre Janeiro e Setembro deste ano, este pacote laboral é um insulto que exige rejeição, desde logo com o compromisso de cada um com a participação na greve geral, mas também responsabilização e denúncia dos que, no plano político-partidário, o defendem contra os interesses dos trabalhadores e da juventude.

O que este pacote laboral representa é uma verdadeira castração do futuro da juventude num País assente num modelo económico de baixos salários, precariedade e sectores de baixo valor acrescentado. Se concretizado, seria uma carta-branca para promover vidas precárias e instáveis, uma chave-mestra para aumentar a exploração e miséria, um autêntico visto de trabalho para fora do País para dezenas de milhares de jovens que querem cá ficar e que precisamos que cá fiquem.

Por tudo isto, não pode haver dúvidas: dia 11 de Dezembro, todos à greve geral!

O mundo novo por que lutamos implica força, coragem e determinação para travar os exigentes combates dos nossos tempos. Olhos nos olhos. Lado a lado com quem carrega, como nós, as marcas das consequências da política de direita. Derrotar o pacote laboral e abrir caminho à ruptura com a política de direita é um imperativo dos nossos tempos e do futuro da juventude. Vamos a eles!



Mais artigos de: Opinião

Boa gente

Trump abriu nas Caraíbas uma nova frente de guerra, acusando o governo da Venezuela de estar envolvido em tráficos de drogas e o Presidente da Colômbia de ser um chefe do tráfico (New York Times, 28.10.25). O absurdo e a mentira vão para além das inexistentes ‘armas de destruição em massa’ inventadas para promover a...

Milagres

Milagros integra a brigada médica cubana que presta serviço no Hospital Nacional “Mártir Brahim Saled”, no campo de refugiados de Rabuni, localizado na porção de deserto argelino onde se encontra estabelecida, no exílio, a República Árabe Sarauí Democrática. Responsável pelo serviço de Urgência, cumpre ali uma missão de...

A pobreza e o modo de a remover

Referia a Lusa que, ao visitar o Banco Alimentar Contra a Fome, em Alcântara, Lisboa, no dia em que arrancou a campanha de recolha de alimentos, o Presidente da República admitiu sentir-se frustrado por os números da pobreza em Portugal não terem diminuído, acrescentando que testemunhou os esforços dos vários governos ao...

Sessenta e seis anos e onze meses

A idade mínima para acesso à reforma sem penalizações voltou a subir. Ainda não chegou aos 67 anos mas pouco falta. Dizem-nos que é preciso acompanhar o aumento da esperança média de vida. Se vives mais, trabalhas mais. E para garantir a sempre importante “sustentabilidade da Segurança Social”, a tal que tira noites de...

Não há maior cego...

O Conselho de Finanças Públicas (CFP), em teoria, serve para «fiscalizar a sustentabilidade das finanças públicas em Portugal, garantindo a transparência e a credibilidade financeira do Estado». Mas, na prática – com a política de direita coloca-se sempre o problema da prática –, o CFP é só mais um instrumento das...