Viva a luta dos trabalhadores e dos povos

Cristina Cardoso

Em vários países cresce a exploração… e a luta

A escalada belicista levada a cabo pelos EUA, a NATO e os países da União Europeia, para contrariar o processo de rearrumação de forças em curso no plano mundial, tem levado a uma corrida desenfreada dos países do centro capitalista ao aprofundamento das políticas neoliberais, retirando direitos e agravando as condições sociais dos povos, ao mesmo tempo que desviam milhões e milhões para o militarismo.

À vista está a vaga de retrocessos que governos de países que integram a UE procuram impor aos trabalhadores sob a chancela de directrizes europeias, ao mesmo tempo que beneficiam as multinacionais e os grandes grupos económicos, incluindo a indústria da guerra. Em vários países assistimos à intensificação da exploração, das injustiças e das desigualdades, com a promoção de uma ainda maior acumulação e concentração da riqueza.

Alguns exemplos. Na Bélgica, o governo de coligação quer impor cortes na despesa pública, o aumento da idade da reforma para os 67 anos de idade e reduzir as pensões, cortes no subsídio de desemprego, no pagamento do trabalho nocturno, entre outras medidas, como o aumento do IVA de bens essenciais. No último ano os trabalhadores belgas saíram à rua em 13 grandes mobilizações nacionais convocadas pelo movimento sindical, para além das acções locais e sectoriais, culminando no final do mês de Novembro com uma greve geral repartida em três dias por diferentes sectores.

Em Itália, multiplicam-se as greves, incluindo a greve geral, convocadas por diferentes centrais sindicais, seja contra o orçamento e a política do governo de Meloni, o militarismo e pela paz, em solidariedade com a Palestina. As reivindicações dos trabalhadores por melhores salários e contra a precariedade, contra o aumento da idade da reforma, por mais investimento público na saúde e educação e contra a desindustrialização, são transversais à greve geral realizada nos passados dia 28 e 29 de Novembro e à que se irá realizar no próximo dia 12 de Dezembro.

Em França, a CGT realizou uma jornada de mobilização no passado dia 2 Dezembro, no decorrer da discussão do orçamento na Assembleia Nacional. 150 manifestações por todo o país que juntaram muitos milhares de trabalhadores dos sectores público e privado, pelo aumento dos salários, contra o novo sistema de reforma e o orçamento que prevê cortes na despesa pública, o que sobrecarregará os mais vulneráveis, a juventude, os reformados, ao mesmo tempo que as empresas privadas beneficiarão de 210 mil milhões de euros de ajudas sem condições, incluindo 80 mil milhões de isenções fiscais.

Apesar da ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, as liberdades e os direitos democráticos, da imposição do pensamento único e da promoção concepções e práticas reaccionárias por toda a Europa, os trabalhadores têm respondido com o reforço da sua luta. É assim também no nosso País. A greve geral do próximo dia 11 será um passo determinante na luta para derrotar o pacote laboral e a ofensiva aos direitos do povo português que está em curso.

Será caso para lembrar que «a situação internacional demonstra que, persistindo sérios perigos decorrentes da ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo, prossegue a acção dos trabalhadores e dos povos, comportando potencialidades para o desenvolvimento da luta por transformações progressistas e revolucionárias». Viva a luta dos trabalhadores e dos povos do mundo.




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