- Nº 2716 (2025/12/18)

Trabalhadores de Aveiro mostram a força da luta

Em Foco

No distrito de Aveiro a greve geral foi um «êxito», com adesões muito elevadas no sector privado e fortes perturbações nos serviços públicos, confirmando a rejeição dos trabalhadores ao pacote laboral do Governo PSD/CDS.


O balanço é da Comissão Executiva da União dos Sindicatos de Aveiro (USA/CGTP-IN), que classificou como «um enorme êxito» a adesão à greve geral realizada no distrito. A estrutura sindical afirma que os dados recolhidos ao longo do dia evidenciam uma participação «assinalável», transversal a diversos sectores de actividade.

No sector privado, registaram-se paralisações totais ou muito próximas dos 100% em várias empresas. Houve produção completamente parada em unidades como a Tupy e a Smurfit Kappa. Na Horse (ex-Renault), a adesão rondou os 70%, percentagem idêntica à verificada na Amorim Revestimentos e na Huber Tricot. Na Granorte, a adesão situou-se nos 80%, enquanto na Ecco’Let atingiu cerca de 85%. Na Santa Casa da Misericórdia de Espinho, a paralisação foi total.

Também no sector público se verificaram impactos significativos. No sector da saúde, os hospitais funcionaram apenas com recurso aos serviços mínimos. Registaram-se perturbações nos tribunais judiciais e do trabalho, bem como o encerramento de inúmeras escolas. Vários serviços camarários funcionaram com fortes constrangimentos ou não abriram ao público, devido à falta de trabalhadores operacionais e administrativos.

A União dos Sindicatos de Aveiro recorda que o distrito enfrenta «níveis assinaláveis de desemprego e precariedade», baixos salários e milhares de pessoas em situação de pobreza laboral, factores que tornam a decisão de fazer greve mais difícil, sublinhando que a dimensão da adesão registada «dá ainda maior significado» ao protesto.

Destaque ainda para a «enormíssima participação» nas concentrações realizadas nas chamadas “praças da greve”, em Aveiro e em Santa Maria da Feira, que juntaram ao longo do dia trabalhadores de vários sectores, reafirmando a exigência de retirada do pacote laboral e a defesa de melhores salários e direitos.