- Nº 2716 (2025/12/18)A greve geral teve um enorme impacto no distrito de Lisboa. Entre os sectores público e privado, foram milhares os que se juntaram ao combate contra o pacote laboral. Tiago Oliveira, Secretário-Geral da CGTP-IN, visitou, durante a noite de dia 10 e a manhã de dia 11, quase uma dezena de piquetes.
Faltavam duas horas para o início da greve geral e à porta do Estaleiro da CM da Amadora estavam já concentrados dezenas de trabalhadores da recolha de resíduos urbanos. «Até agora não saiu nenhum carro, nem vai sair», assegurou um dos delegados sindicais. Esta foi a primeira paragem da ronda realizada por Tiago Oliveira. No local estiveram também Cristina Torres, presidente do STAL, e João Pimenta Lopes, vereador do PCP na CM da Amadora.
Já depois da meia-noite, à porta de uma das estações do Metropolitano de Lisboa, o cenário era idêntico. A circulação tinha sido interrompida, algo que se voltou a verificar no dia seguinte. «Não há nenhuma medida no pacote que seja favorável. Só para o patronato», salientou ao Avante! uma das trabalhadoras no piquete. Presente no local, Paulo Raimundo qualificou o pacote laboral de «injustíssimo». Pelas 5h30, em Santa Apolónia, oplacard informativoda estação mostrava todos os comboios suprimidos.
Na Cerealto, em Mem Martins, os trabalhadores no piquete preparavam-se para repetir a proeza conseguida no turno anterior: apenas um trabalhador entrou na fábrica, o que se traduziu na interrupção da produção.
Às 9h00, os portões da Escola Básica Marquesa de Alorna estavam fechados. «Estamos perante uma grande greve, seja no sector público ou privado. É uma resposta firme ao ataque ao mundo do trabalho», afirmou Tiago Oliveira. Junto dele esteve Sebastião Santana, coordenador da FNSTFPS e da Frente Comum.
A volta terminou com paragens nos piquetes do Hospital de Santa Maria (ver págs. 8 e 9) e do Aeroporto Humberto Delgado. Neste último, onde se registou uma adesão de 90 por cento da parte dos trabalhadores, Tiago Oliveira reforçou que o que «é determinante» e «fundamental» é «que o Governo retire de cima da mesa o pacote laboral, [… ] e não medir quanto é que vamos voltar para trás». Também Paulo Raimundo esteve presente no piquete.
A adesão, no distrito de Lisboa, foi bastante expressiva em todos os sectores. Em comunicado, o STML/CGTP-IN afirma que a «resposta dos trabalhadores da cidade de Lisboa que o STML acompanha foi inequívoca». Dão ainda nota de muitas paralisações em serviços municipais de limpeza e higiene urbana, jardins e espaços verdes. No âmbito da cultura, os efeitos na EGEAC foram «avassaladores», registando-se o encerramento de dezenas de espaços, entre eles, o Capitólio, o Cinema São Jorge, o Museu do Aljube e o Museu do Fado.
Também na comunicação social o impacto foi importante. Presente no piquete na RTP, João Ferreira saudou a «adesão significativa em vários sectores da empresa», registando a interrupção de vários noticiários e outras componentes da programação.
«Não vamos desistir o pacote é para cair!»
A manifestação em Lisboa, que saiu do Rossio, junto do Largo de São Domingos, cerca das 15 horas, contou com muito forte participação. Entre os milhares de pessoas, estavam trabalhadores de praticamente todos os sectores, muitos com coletes dos piquetes de greve, alguns exibindo faixas e bandeiras sindicais. Foi ainda notória a participação de milhares de jovens por toda a manifestação, mas com destaque para a grande dinâmica construída pela Interjovem/CGTP-IN.