Fingem não a ver, mas a luta está aí

Manuel Rodrigues

Refere o comunicado do Comité Central da passada segunda-feira que «a greve geral do passado dia 11 de Dezembro, no desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo, marca impressivamente a vida nacional».

Mas nem todos viram nela aquilo que ela verdadeiramente foi. Ou seja, apesar da dimensão, o Governo e o patronato (e as respectivas «vozes do dono», ou seja, o comentariado de serviço) fingiram não a ver. Quase como a querer sugerir: não vimos a greve, logo, a greve não existiu.

Foi o que fez o ministro António Leitão Amaro, que, sem noção do ridículo, declarou: «cerca de 95 por cento dos trabalhadores não aderiram à greve», sublinhando que a greve geral foi inexpressiva, com uma adesão que andará entre os zero e os dez por cento.

O primeiro-ministro não quis ficar atrás (em «cegueira» e em ridículo) e insistiu: «a parte que está a exercer o seu legítimo direito à greve é a parte minoritária, enquanto a parte largamente maioritária está a trabalhar».

Armindo Monteiro, presidente da CIP, afirmaria, por sua vez: «a economia real está a funcionar em todo o País».

Já André Ventura, dissimulando com uma pirueta a sua verdadeira posição, foi afirmando que não aprovaria o pacote laboral tal como está.

Verdadeiramente incomodados, ou talvez mesmo em estado de choque pela resposta organizada dos trabalhadores à brutal ofensiva contra os seus direitos, Governo, patronato, Chega e IL, entraram, de facto, em estado de negação, que é o mesmo que dizer: fingiram não ver o que, de de forma tão expressiva, veio mostrar uma enorme afirmação de força e unidade dos trabalhadores e uma poderosa expressão de rejeição do pacote laboral.

Os artifícios de linguagem ridículos que usaram para (des)caracterizar a greve geral mostram, isso sim, que o Governo sofreu uma grande derrota e sai deste processo mais isolado; que André Ventura, apesar das piruetas, está, como sempre esteve, totalmente comprometido com o Governo e o grande capital em aprovar o pacote laboral.

É isso, sem dúvida, e não outra coisa, o que está por trás de tão ridículas declarações e cambalhotas.

Mas, por mais que não a queiram ver, a luta está está aí, está viva e, porque vai continuar, hoje como sempre, vai ser decisiva.

 



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