- Nº 2717 (2025/12/24)Desde há 10 dias que os EUA assaltaram dois navios petroleiros no Mar das Caraíbas, que transportavam petróleo venezuelano, ameaçando continuarem estes actos de pirataria e imporem um bloqueio naval à República Bolivariana da Venezuela até que este país lhe entregue a exploração dos recursos petrolíferos.
Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela, acusou os EUA de quererem impor uma mudança de regime e instalar um governo fantoche na Venezuela que lhes entregue a soberania e converta a Venezuela numa colónia, aludindo às inaceitáveis e descaradas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, as quais confirmam as intenções dos EUA de se apoderarem do petróleo, das terras e de outros recursos venezuelanos.
Face às ameaças e pretensões belicistas e colonialistas do imperialismo norte-americano, Nicolás Maduro assegurou que a Venezuela continuará a comercializar os seus recursos, afirmando que «é ilegal, segundo todos os acordos, impedir o livre comércio marítimo nos mares e oceanos de todo o mundo. Não estamos no tempo dos corsários. A Venezuela prosseguirá o comércio do nosso petróleo e das nossas riquezas naturais, que pertencem ao seu único dono legítimo desde há séculos: o soberano povo venezuelano. É o dono absoluto de todas as suas riquezas».
Sublinhando que a Venezuela está a defender o direito a existir enquanto República soberana, assim como de todo um continente, o Presidente venezuelano garantiu que a Venezuela não será colónia de ninguém, confiante que o povo venezuelano, em união cívico-militar-policial, fará prevalecer os seus direitos históricos sobre a sua terra, as suas riquezas minerais, o seu petróleo.
Nicolás Maduro reiterou que os venezuelanos estão a defender «o mais sagrado que tem um país: o direito à vida do seu povo», que têm «a força e a razão e o apoio dos povos do mundo perante a escalada belicista, ilegal, desproporcionada» dos EUA e que «é tempo de respeitar o direito internacional».
EUA capturam outro petroleiro
Os EUA assaltaram e capturaram um novo navio petroleiro, o segundo em 10 dias, em águas internacionais, ao largo das costas da Venezuela. No dia 10, Donald Trump anunciou um bloqueio total e completo dos navios petroleiros que entrem ou saiam da Venezuela e que estejam submetidas a sanções norte-americanas.
Nos últimos meses, os EUA reuniram no Mar das Caraíbas mais de uma dezena de navios de guerra, incluindo um porta-aviões, com uma força de 15 mil efectivos.
Entretanto as autoridades venezuelanas solicitaram a realização de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para debater a agressão contínua dos EUA contra o seu país. A reunião terá tido lugar na passada terça-feira, 23.
O PCP já condenou as graves e inaceitáveis acções belicistas e ameaças de agressão militar contra a República Bolivariana da Venezuela por parte da Administração Trump que, a coberto de falsos pretextos, visam impor o domínio e o saque dos imensos recursos deste país pelo imperialismo norte-americano, como o demonstram as acções de pirataria e as recentes declarações do Presidente dos EUA. E chamou ainda a atenção para o silêncio do Governo português perante a chantagem, as provocações e ameaças de agressão militar dos EUA contra a Venezuela em flagrante violação dos princípios da Carta da ONU e do direito internacional.