- Nº 2717 (2025/12/24)

Pela defesa do SNS na região de Aveiro

PCP

Ao longo de quase duas décadas que o distrito de Aveiro tem sido alvo de um «processo continuado de desmantelamento dos serviços públicos de saúde». Quem o afirma são as organizações concelhias de Águeda, Albergaria-a-Velha, Ílhavo, Estarreja e Aveiro do PCP num comunicado conjunto de dia 18.

É a política de direita a responsável por este enfraquecimento progressivo do SNS e das acrescidas dificuldades no acesso universal aos cuidados de saúde, acusam a organizações concelhias. «O PCP, para além das contínuas denúncias, realizou, pelo distrito inteiro, várias acções de luta em solidariedade com as populações na defesa destes serviços», informam ainda.

Em Águeda, o encerramento intermitente do serviço de urgência por falta de profissionais tem agravado a falta de acesso da população a cuidados, num concelho em que também as extensões de saúde da Mourisca e Recardães enfrentam vários constrangimentos a nível de infra-estruturas e de falta de profissionais. Já em Estarreja salienta-se o encerramento da urgência no Hospital Visconde de Salreu.

Em Albergaria-a-Velha o cenário não é melhor face à inexistência de um posto de atendimento permanente, o que obriga os utentes a recorrer às urgências de Aveiro, mesmo para as situações mais simples. Assinala-se igualmente as obras tardias nos centros de saúde de Ílhavo e da Gafanha da Nazaré. Em suma, numa região em que milhares de utentes continuam sem médico e enfermeiro de família, todos estes factores contribuem para a sobrecarga do Hospital de Aveiro que se vê abraços com várias outras limitações.

Em Serpa

Também a Comissão Concelhia de Serpa do PCP criticou o encerramento do serviço de urgência do Hospital de São Paulo que esteve e estará encerrada nos dias 9, 12, 24, 25 e 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, por «indisponibilidade de recursos humanos». O organismo considerou esta situação «profundamente negativa para a população do concelho», resultado de uma «política que pretende destruir o SNS e entregar os cuidados de saúde aos grupos privados do negócio da doença».

Acresce que o encerramento coincide com um «período sensível do ano, em que o frio e o aumento de doenças respiratórias levam mais pessoas a utilizar serviços de urgência». Para a concelhia do PCP, a decisão de encerrar este serviço é «incompreensível», já nestes dias torna-se «intolerável».

«Esta situação não é pontual nem acidental», lê-se numa nota de imprensa de dia 16. É, antes, o resultado de um «processo antigo de entrega do Hospital de São Paulo a interesses privados que conduziu à sua degradação e à perda de capacidade de resposta e ao abandono da população que dele dependem». «Como várias vezes o PCP tem reafirmado e, aliás, ainda há pouco tempo propôs no Orçamento do Estado para 2026, a única solução para este problema é a devolução deste hospital ao SNS», lê-se ainda.

«O SNS necessita urgentemente de mais recursos financeiros, técnicos e humanos para cumprir o seu princípio constitucional: garantir o direito à protecção da saúde de todos, independentemente da condição económica ou local onde vivem», argumenta ainda a organização concelhia.