EUA atacam na Nigéria e querem Gronelândia

Os EUA voltaram a reivindicar a posse da Gronelândia, região autónoma sob jurisdição da Dinamarca. Entretanto, forças militares norte-americanas bombardearam o Estado de Sokoto, no norte da Nigéria, a pretexto da “guerra contra o terrorismo”.

Os EUA voltaram a reivindicar a posse da Gronelândia, região autónoma sob jurisdição da Dinamarca.


O ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês convocou o embaixador dos EUA na Dinamarca para protestar contra a nomeação, pelo presidente dos EUA, no dia 21, do governador da Luisiana, Jeff Landry, como enviado especial norte-americano para a Gronelândia. A sua missão é «tornar a Gronelândia parte dos EUA». Trump insiste que, por razões «de segurança nacional», os EUA «precisam» da Gronelândia.

A Dinamarca, aliada dos EUA no âmbito da NATO, reafirma que «todos, incluindo os EUA, devem mostrar respeito pela integridade territorial do reino da Dinamarca». A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen, reafirmaram que «não se pode anexar outros países, nem sequer com o argumento de segurança internacional». Recorde-se, a este respeito, que a Dinamarca tem alinhado com os EUA em múltiplas guerras de agressão, desde logo à Jugoslávia e à Líbia…

O governo local da Gronelândia – integrada na Dinamarca em 1953 e tornada região autónoma desde 1979 – assegurou em várias ocasiões que a soberania da região não está em discussão e que os gronelandeses aspiram a uma independência futura e não a uma anexação.

Regressado à Casa Branca há um ano, depois das promessas eleitorais de limitar o intervencionismo militar dos EUA no mundo, Donald Trump, neste curto período, apoiou a guerra genocida de Israel contra a Palestina e as agressões israelitas ao Líbano e à Síria; ordenou ataques contra o Irão; enviou para o mar das Caraíbas uma poderosa armada e ameaça de agressão militar a Venezuela e outros países da América Latina; exigiu a posse do canal do Panamá e, agora, de novo a posse da Gronelândia; promove o aumento das despesas militares e a corrida aos armamentos; mantém e promove novos focos de tensão e conflito. Tudo isto ao mesmo tempo que apresentou a sua própria candidatura ao Prémio Nobel da Paz.

EUA bombardeiam na Nigéria

O governo da Nigéria revelou no dia 26 que, em colaboração com os EUA, as suas forças armadas efectuaram ataques contra elementos ligados ao denominado «Estado Islâmico», no noroeste do país africano. O comando militar dos EUA para África (AFRICOM) confirmou que os ataques tiveram lugar no Estado de Sokoto, na fronteira com o Níger.

No início de Novembro, Trump acusou a Nigéria de não defender a população cristã dos ataques de grupos terroristas. Contudo, não só os ataques destes grupos têm visado populações cristãs e muçulmanas, como as autoridades nigerianas os têm procurado combater e prevenir. Estes acontecimentos evidenciam a pressão dos EUA sobre a Nigéria e os interesses que o imperialismo norte-americano tem relativamente a este país, o mais populoso de África e o maior produtor de petróleo neste continente.

Como sublinhou, há dias, o Partido Comunista da África o Sul, as acções dos EUA na Nigéria não são de um «actor benevolente que procura defender os cristãos, mas antes uma fachada para estabelecer uma presença militar norte-americana a longo prazo no país, visando os seus próprios interesses económicos egoístas e vantagens geoestratégicas». Ao mesmo tempo que, acrescenta, pretende desestabilizar a África Ocidental na sua busca imperialista para «conter, e até mesmo reverter, os avanços revolucionários na região do Sahel, prejudicando os esforços soberanos de África para construir um potencial económico independente».

 



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