Aeroporto de Beja tem de estar no centro do desenvolvimento regional

O PCP reagiu às notícias vindas a público relativas à possibilidade de instalação em Beja de uma fábrica de uma unidade da Embraer, através de um comunicado do Executivo da Direcção da Organização Regional, emitido no dia 19. Realçando a reduzida informação disponibilizada sobre esta possibilidade, o Partido não deixou de lembrar que sempre defendeu o investimento e a diversificação do tecido produtivo na região, designadamente na sua vertente industrial, e que o cluster aeronáutico é uma das possibilidades, desde logo pela presença do aeroporto de Beja.

Pelas notícias como pelas declarações do ministro da Defesa, conclui-se que este investimento é destinado, «sem se saber exactamente em que moldes, exclusivamente à produção de um modelo de aeronaves militares – o A29NL SuperTucano». Ora, sustenta o PCP, tal facto levanta a «legitima questão de um afunilamento do cluster aeronáutico na vertente militar, em contraposição com o necessário e possível investimento na aeronáutica civil, área que garante mais e maiores mercados e maior estabilidade produtiva ao longo do tempo».

Segundo veio a público, a instalação da unidade de Beja será ligada à vertente de voos de teste de aeronaves para uso militar e formação de pilotos, o que – associado à possibilidade de o novo campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa passar para terrenos nos concelhos de Mértola e Serpa, devido ao encerramento do Campo de Tiro de Alcochete – «levanta legítimas dúvidas» sobre as futuras condições de utilização do espaço aéreo do Alentejo para a aviação civil. Para o Partido, o Governo deve esclarecer se a decisão agora tomada põe em causa ou condiciona de alguma forma o projecto do Aeroporto de Beja, «há tanto reivindicado pelas populações».

O que importa acima de tudo é, para o PCP, o aproveitamento cabal do Aeroporto de Beja, que tem «todas as condições, se houver vontade política para tal, e se se abandonar o desinvestimento quer na própria infra-estrutura quer nas redes viária e ferroviária na região», de se afirmar como um «importantíssimo instrumento potenciador do desenvolvimento». O aeroporto é ainda fundamental, acrescenta o Partido, para desenvolver uma estratégia integrada de aeronáutica, carga, parqueamento, manutenção e transporte de passageiros, a par do desenvolvimento de uma fileira industrial e da criação de uma plataforma logística que facilite o escoamento de produtos da região.

«É sobre este projecto que se exige um posicionamento claro do Governo e das forças políticas com responsabilidades na região», desafiam os comunistas.

 



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