Golpe eleitoral na Honduras
Nas Honduras, após denunciar «a usurpação da soberania popular» como «uma afronta histórica ao povo hondurenho», o Partido Libertad y Refundación (Libre) qualificou de «golpe eleitoral» os resultados anunciados das eleições gerais de 30 de Novembro. «Consumado no CNE (Conselho Nacional Eleitoral) o golpe eleitoral», afirmou Rixi Moncada, a candidata presidencial do partido até agora no governo, referindo-se à ratificação por aquele organismo do apontado triunfo do Partido Nacional (PN), de direita, proclamado como vencedor não só das eleições presidenciais, como também das legislativas e autárquicas.
A candidata da formação progressista acusou o CNE, controlado pelo PN e pelo Partido Liberal (PL), ambos de direita, de validar os resultados sem ter revisto uma parte das actas e dos votos de mais de três milhões de cidadãos que foram às urnas.
«A partir de Washington, Donald Trump profanou a ordem democrática do nosso país em co-autoria com o PN, os gangues e o crime organizado», declarou Rixi Moncada, ex-ministra da Defesa do governo cessante, encabeçado pela presidente Xiomara Castro, aludindo à aberta ingerência dos EUA, que apoiou o candidato presidencial Nasry Asfura, considerado vencedor pelo CNE.
O presidente norte-americano, Donald Trump, a poucos dias da ida às urnas, ameaçou cortar as relações com as Honduras e proibir o envio de remessas dos emigrantes se o candidato por si apoiado não ganhasse. Além disso, concedeu um indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por traficar mais de 400 toneladas de cocaína para os EUA.
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros hondurenho, Enrique Reina, candidato a vice-presidente apresentado pelo Libre, denunciou que os resultados eleitorais finais são a consumação de uma fraude e augurou tempos obscuros com o retorno da direita ao poder. Insistiu que, com este golpe eleitoral e o regresso à governação do PN, uma formação com um largo historial de fraudes eleitorais, como as ocorridas em 2013 e 2017, as Honduras voltam «à obscuridade da ilegitimidade e da ilegalidade».
O diplomata enfatizou que o sentimento gerado no seio da população por este fraudulento processo eleitoral, envolto em múltiplas irregularidades, é o de que estas foram as eleições mais sujas da história da país centro-americano e de que as forças da direita hondurenha são capazes de tudo. Mas garantiu: «A luta continua, aqui ninguém se rende. A Pátria defende-se e o partido Libre estará ao lado do povo».




