Palestina perde em dois anos 10% da população da Faixa de Gaza
Em dois anos de agressão genocida de Israel contra os palestinianos na Faixa de Gaza, o território perdeu cerca de 254 mil pessoas, o que representa 10,6% da sua população. Entretanto, a situação humanitária agrava-se com a chegada do Inverno, a continuação do boicote à entrada de ajuda humanitária e a proibição por Israel das actividades em Gaza de 37 organizações de solidariedade.
Entre Outubro de 2023 e finais de 2025, a população da Faixa de Gaza diminuiu mais de 250 mil habitantes
O Gabinete Central de Estatísticas da Palestina (PCBS, na sigla em inglês), apresentou no passado dia 1 um relatório que expõe a magnitude da política genocída de Israel contra a população palestiniana da Faixa de Gaza.
Segundo o organismo, desde Outubro de 2023 até finais de 2025, o território palestiniano perdeu 10,6% da sua população, cerca de 254 mil pessoas. Esta quebra demográfica, qualificada como sem precedentes, reflecte não só a violência militar mas também o colapso das condições de vida sob bloqueio.
O documento pormenoriza que 70.942 palestinianos, entre os quais 18.592 crianças e cerca de 12.400 mulheres, foram assassinados em resultado da agressão israelita. Há também registo de 171.222 feridos palestinianos.
Os números evidenciam a brutalidade dos ataques israelitas dirigidos contra a população, que se viu obrigada a abandonar as suas casas. Quase dois milhões de pessoas foram deslocadas à força dentro do território, vivendo em condições precárias, sem acesso a serviços básicos e debaixo de constantes bombardeamentos.
O organismo sublinha que a redução populacional não se explica unicamente pelas mortes directas mas também pelo bloqueio sistemático israelita que impede a entrada, em quantidades necessárias, de alimentos, água potável, medicamentos e assistência humanitária. O colapso dos hospitais, a destruição da infra-estrutura e a impossibilidade de aceder a abrigos seguros converteram a sobrevivência num desafio diário para os habitantes do território.
O relatório também assinala que as actuais condições meteorológicas extremas agravam a situação humanitária. As chuvas de Inverno inundaram os acampamentos improvisados, deixando milhares de deslocados na lama, sem protecção face às precipitações e expostos a enfermidades. As tendas de campanha, frágeis e deterioradas, não oferecem qualquer defesa contra as inundações, enquanto as autoridades locais advertem que os edifícios danificados tão-pouco são seguros como locais de refúgio.
Israel continua a violar o cessar-fogo e a obstaculizar a entrada de ajuda humanitária indispensável para a população palestiniana da Faixa de Gaza.
Israel bloqueia acção de 37 organizações de solidariedade
O governo de Israel oficializou no primeiro dia de 2026 a suspensão de licenças para 37 organizações de solidariedade e humanitárias que operam na Faixa de Gaza, uma medida que aprofunda a agressão contra a população palestiniana.
Esta decisão surge no momento em que o parlamento de Israel avança com a aprovação de normas que permitem aos israelitas cortar o fornecimento de água e electricidade às sedes da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), reforçando o bloqueio à acção da agência da ONU que presta assistência aos palestinianos.
Organismos internacionais e figuras como o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos advertiram que estas suspensões arbitrárias pioram a já catastrófica situação sanitária e alimentar na Faixa de Gaza.
A ONU exigiu a revogação imediata das leis contra a UNRWA, enfatizando que tais decisões são incompatíveis com o estatuto das Nações Unidas e só procuram asfixiar a capacidade de resposta perante a urgência médica na Faixa de Gaza.
A proibição de actividades das organizações não-governamentais (ONG) nos territórios palestinianos, no início deste ano, insere-se na política genocída de Israel, que conta com o apoio da administração norte-americana. Ao criminalizar o trabalho humanitário e dificultar a acção da UNRWA, o regime sionista utiliza a fome e a falta de assistência médica como armas de guerra para forçar a deslocação forçada da população palestiniana.
Garantir acesso à ajuda humanitária
Dezanove organizações israelitas de defesa de direitos humanos condenaram o cancelamento por parte do governo de Telavive do registo de 37 ONG que operam nos territórios palestinianos, que sofrem uma dramática situação humanitária após dois anos de agressão ininterrupta.
Numa declaração conjunta, as organizações israelitas assinalaram que «num momento em que a necessidade é maior em Gaza e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém, essa medida restringe o acesso a ajuda vital».
Vincaram que o plano israelita mina a acção humanitária, põe em perigo o pessoal das ONG e as comunidades e compromete a prestação eficaz de ajuda, reiterando que «garantir o acesso à ajuda humanitária é uma obrigação legal, não uma opção discricionária».
Entre as organizações israelitas que subscrevem a declaração denunciando a medida das autoridades de Israel, porque viola os princípios do direito internacional humanitário, encontram-se a B’Tselem, o Centro Legal para os Direitos das Minorias Árabes em Israel, a Associação para os Direitos Civis em Israel, o Centro Legal para a Liberdade de Movimento ou o grupo Ir Amim.
Aumentam mortes de presos palestinianos
O Centro de Estudos sobre Detidos da Palestina alertou para o aumento de mortes entre os prisioneiros palestinianos nas cadeias israelitas devido às condições de encarceramento impostas pelos ocupantes.
A entidade denunciou que numerosos detidos perdem a vida, tanto nos centros de reclusão, como pouco tempo depois de serem libertados, como consequência de torturas e negligência médica sistemática por parte das autoridades israelitas.
Tais acções fazem parte de um padrão de violações dos direitos humanos que o regime sionista executa contra a população palestiniana, agravando a desprotecção para quem se encontra sob detenção.




