O lodo político e moral da UE face à agressão dos EUA à Venezuela

João Oliveira

A posição da União Europeia (UE) face à agressão dos EUA à Venezuela é cristalinamente reveladora da submissão e subserviência da UE aos EUA e aos seus interesses de conveniência. É, ainda, reveladora das contradições em que a UE está inevitavelmente enredada em consequência do oportunismo, da cobardia e da hipocrisia que norteiam as orientações políticas definidas em função daquela referência de submissão e subserviência.

Perante a agressão militar dos EUA à Venezuela, a UE fala de crise e apela à calma e à contenção das partes para evitar uma escalada. Como se se tratasse de uma espécie de zanga entre partes com posições equivalentes e igualmente responsáveis pelo “desaguizado”. Perante a violação da soberania de um Estado independente e o sequestro de um chefe de Estado não há da parte da UE uma única palavra de condenação. Nem sequer a UE faz o simples esforço de confrontar essa actuação com o direito internacional para constatar directa e obviamente a sua violação. Pelo contrário, a UE opta por fazer eco dos pretextos esfarrapados que a administração Trump fabricou para justificar a agressão, procurando assim contribuir para sustentar a sua legalidade e motivação. Reclamando a libertação do que diz serem presos políticos, a UE recusa a exigência de libertação imediata do presidente Nicolás Maduro sequestrado pelos EUA.

Perante o anúncio da intenção de controlo político dos EUA sobre a Venezuela, a UE não se limita a dar como consumada a situação resultante da agressão perpetrada e a dar como aceite o objectivo anunciado. Ainda acrescenta considerações sobre a pretensa falta de legitimidade do Presidente venezuelano de forma a meter a sua própria “colherada” sobre o que entende dever ser o futuro da Venezuela, tornando completamente vazia de conteúdo a proclamação que faz sobre o respeito pela vontade do povo venezuelano. Perante a descarada declaração de Donald Trump assumindo que o saque do petróleo venezuelano é uma das principais motivações (senão mesmo a principal) da agressão dos EUA à Venezuela e ameaçando outros países e chefes de Estado com o mesmo destino caso não queiram submeter-se às suas imposições, nem um arremedo de coragem da UE para uma simples palavra de crítica que fosse ao despudor de tal posicionamento. Apenas cobardia, submissão e muita “graxa” na esperança de convencer o regime norte-americano a não dar o mesmo destino ao território da Gronelândia, já identificado como motivador do mesmo tipo de apetites que estão na origem da agressão à Venezuela.

A desconsideração da UE à escala internacional e o descrédito dos protagonistas das suas instituições serão apenas as consequências mais superficiais que resultam de tais posicionamentos. Mais profundos são os impactos que recaem sobre os povos que vêem ameaçadas a sua paz, segurança e liberdade em consequência desses posicionamentos da UE.

 



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