Situação insustentável na Linha do Oeste

A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste voltou a alertar para a grave degradação do serviço ferroviário nesta linha, denunciando sucessivos atrasos e supressões de comboios em vários dias consecutivos. A situação deve-se à escassez de material circulante, cada vez mais envelhecido e sujeito a avarias sistemáticas.

Atrasos e supressões voltam a ser o dia a dia dos utentes

De acordo com os utentes, são necessárias pelo menos cinco composições para assegurar o funcionamento regular de toda a Linha do Oeste. No entanto, nas últimas semanas, em alguns dias estiveram apenas duas composições em circulação, o que obrigou à supressão de várias ligações em ambos os sentidos.

Em comunicado de 28 de Dezembro, os utentes sublinham que as composições UDD «não dão garantias de circulação sem avarias» e recordam que a CP está a devolver à RENFE as automotoras UTD (conhecidas como “Camelo”), de forma a evitar o pagamento das grandes revisões à empresa espanhola.

A Comissão refere ainda que a situação se agravou significativamente durante o mês de Dezembro. Entre os dias 4 e 28, foram suprimidos 79 comboios nos troços Santa Apolónia-Caldas da Rainha e Caldas da Rainha-Coimbra-B, sem que a CP tenha assegurado qualquer transporte alternativo. Para os utentes, esta postura revela «uma manifesta falta de respeito pelos passageiros».

O caso mais crítico ocorreu no dia 26 de Dezembro, quando foram suprimidas quatro ligações no troço Santa Apolónia-Caldas da Rainha, todas ao final do dia, precisamente no período de regresso a casa de muitos utentes após um dia de trabalho.

Segundo a Comissão, a gravidade da situação é tal que a CP deixou de vender bilhetes de grupo para a Linha do Oeste, devido à imprevisibilidade do serviço. Uma decisão que os utentes classificam como «uma atitude de demissão na resolução do problema».

 

Exigem-se medidas imediatas

A Comissão defende que a substituição do actual material circulante por comboios novos deveria ter sido planeada em articulação com o período das obras de modernização da Linha do Oeste. No entanto, sublinham que essas obras «estão a prolongar-se muito para além do inicialmente previsto» e que a entrada em circulação das novas composições continua envolta em incerteza.

Os utentes recordam ainda que, caso as composições híbridas já estivessem fabricadas e certificadas, poderiam estar a circular na Linha do Oeste, mesmo sem a electrificação concluída.

Perante este cenário, a Comissão para a Defesa da Linha do Oeste considera urgente a adopção de medidas imediatas, ainda que provisórias, para responder a um problema que tende a agravar-se em 2026. Alertam para o risco de se repetir uma situação semelhante à de 2018, quando praticamente deixaram de circular comboios em ambos os sentidos devido à falta de material circulante.

Nesse sentido, exigem que o Governo e a CP adoptem um plano de contingência eficaz, defendendo a colocação ao serviço da Linha do Oeste de locomotivas diesel da série 1400 com carruagens, uma solução já anteriormente proposta pela Comissão em períodos críticos.

 



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