Alentejo e Interior do País não estão condenados ao abandono
António Filipe visitou, nos dias 7 e 12, distritos do Alentejo, colocando em destaque os problemas ligados à desertificação doInterior, à falta de investimento e abandono desta região e a necessidade de levar por diante a regionalização. Um almoço e um jantar, visitas e sessões públicas preencheram a agenda do candidato em Aljustrel, Beja, Elvas, Campo Maior e Évora.
O desenvolvimento do País depende da sua regionalização
No dia 12, segunda-feira passada, o périplo de António Filipe pelos distritos de Portalegre e Évora terminou com uma sessão pública no Palácio D. Manuel II, na capital eborense. Lá, depois do mandatário distrital, Paulo Dourado, e do apoiante e eurodeputado comunista João Oliveira, António Filipe dirigiu-se ao público, enfatizando a necessidade de levar por diante políticas públicas que sigam no sentido de cumprir todos os direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa (CRP), em particular, no que concerne à saúde. «É o SNS que garante que todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade económica, têm direito aos cuidados de saúde que precisam, seja em que circunstâncias for, com doenças mais graves ou menos graves e todas aquelas a que apenas o SNS dá resposta», afirmou.
No dia anterior, na cerimónia de inauguração da nova sede da direcção executiva do SNS do Porto, o primeiro-ministro tinha atribuído a «percepções» o actual retrato das dificuldades de acesso do SNS. Face a essa profunda atitude de desresponsabilização, António Filipe questionou se as dezenas de crianças que nascem nas auto-estradas por causa do encerramento das urgências de obstetrícia é uma questão de percepção ou realidade. O mesmo com as pessoas que morrem por falta de assistência ou de todos aqueles que passam mais de 12 horas à espera de resposta nas urgências. «Não é uma percepção, é uma situação de desvalorização do SNS que se tem vindo a fazer», afirmou.
Privados lucram
Depois de expressar diversas palavras de apoio a todos os profissionais que garantem que o SNS cumpra a sua missão, António Filipe clarificou que são os privados quem mais tem lucrado com a degradação do SNS: «à medida que o SNS começa a não ter capacidade de resposta, surgem hospitais privados por todo o País como cogumelos e, hoje, já temos mais hospitais privados do que hospitais no SNS».
A responsabilidade, acusa o candidato, recai sobre quem leva por diante as políticas públicas.
Já antes do candidato, Paulo Dourado salientou que durante décadas o Alentejo foi – «e ainda é», como disse – uma região esquecida pelos governantes nas áreas da saúde, educação e habitação. «No caso do Alentejo o problema da saúde atinge uma gravidade ainda maior por sermos uma região periférica, com um elevado índice de pobreza, uma população envelhecida e uma baixa densidade populacional», afirmou, apontando a construção do novo hospital central de Évora como exemplo da hipocrisia de quem relegou a região inteira a este esquecimento e agora afirma ter todas as soluções.
Sem «esqueletos no armário»
«Qual é a dúvida sobre a candidatura de António Filipe? Alguém dúvida que esta é a candidatura que dá melhor expressão às exigências dos trabalhadores? Alguém duvida que este é o candidato que mais garantias dá de defesa dos direitos que a nossa constituição consagra?», questionou João Oliveira. «Se então ninguém tem duvidas, ninguém deve duvidar também que é na candidatura de António Filipe que está o voto certo», afirmou em jeito de resposta.
«Esta é a candidatura que protagoniza todos esses valores, sem esqueletos no armário, e que não precisa de procurar justificações, nem explicar o porquê, de no passado ter feito o contrário daquilo que agora diz em tempo de campanha», acrescentou o eurodeputado.
Antes da sessão pública, partindo da Praça do Giraldo, o candidato percorreu algumas ruas da cidade, contactando com fregueses e pequenos negócios.
Regionalização é resposta para o Interior
Ainda no mesmo dia, num almoço em Campo Maior, António Filipe foi recebido ao tradicional som do cantar às saias, recebendo dos seus apoiantes as também tradicionais flores de papel. No momento político que se sucedeu ao almoço, o candidato caracterizou a regionalização como um capítulo por cumprir na CRP e explicou que a opção de passar aquele dia pela região se deveu à necessidade de chamar atenção para as diversas assimetrias que afectam o território nacional.
«Por vontade do povo alentejano tinham sido criadas as regiões administrativas» e a inexistência desse processo, explicou, resulta de um acordo formal, a propósito da revisão constitucional de 1997, entre PS, PSD e CDS, para impedir a regionalização. Se assim não fosse, a «regionalização e o desenvolvimento do País não estaria dependente de acordos inter-partidários como acontece agora».
Antes do candidato tinha usado da palavra Fátima Dias, mandatária distrital, que abordou diversos problemas da região, caracterizando António Filipe como o candidato que «enfrenta o medo e confia no povo português».
Desenvolver o País
Na parte da manhã, António Filipe visitou a Estação Nacional de Melhoramento de Plantas de Elvas, onde destacou o papel fundamental da ciência na soberania alimentar do País. Em declarações, o candidato salientou que o desinvestimento na ciência e nos laboratórios estatais compromete o futuro do País e defendeu medidas que tornem a agricultura familiar viável.
Trabalho a mais, salários e direitos a menos
Já no dia 7, depois de um encontro com ecologistas em Almada e de uma visita à estação ferroviária de Cuba (ver página anterior), numa sessão pública na sede do Sindicato dos Mineiros de Aljustrel, António Filipe dedicou parte da sua intervenção a questões ligadas ao mundo do trabalho. Criticando o pacote laboral proposto pelo Governo, o candidato afirmou que, a ser eleito Presidente da República, os portugueses poderiam esperar a sua mais veemente oposição.
«Os trabalhadores estão hoje numa situação muito desfavorável na legislação laboral. Há muita precariedade, temos um País de baixos salários e pensões», constatou. Para o candidato trata-se de uma «enorme injustiça»: «uma economia em que o salário mínimo faz com que o trabalhador leve para casa apenas 774 euros» e em que, ao mesmo tempo, os «grandes grupos económicos distribuem milhares de milhões de euros pelos seus accionistas».
Sobre o pacote laboral e a grande greve geral de dia 11 de Dezembro, António Filipe recordou que, «entre os candidatos que estão do lado patronal e os que ficam encima do muro à espera para ver», ele está onde sempre esteve, «ao lado dos trabalhadores portugueses»
Na sessão interveio também Fernando Rua, presidente da Câmara Municipal de Aljustrel e apoiante de António Filipe. «Esta é a candidatura da honestidade e que defende o que o 25 de Abril conquistou», afirmou, recordando que António Filipe não está ligado a qualquer tipo de interesses. Também a nível internacional, pelo momento de grande instabilidade em que vivemos, é importante votar nesta candidatura, salientou o apoiante.
Candidato da esquerda
Ao final do dia, já em Beja, num jantar que encheu duas salas distintas, António Filipe prometeu não desistir e levar a sua candidatura até ao fim. E tem razões para o fazer porque na sua candidatura convergem pessoas de esquerda, progressistas e identificadas com os valores de Abril e pessoas que não se conformam com o rumo que o País tem levado, com a hegemonia da direita à frente dos órgãos de soberania. «É uma candidatura absolutamente necessária», afirmou.
O candidato aproveitou ainda a ocasião para criticar os candidatos do «consenso neoliberal». Candidatos que «lamentam a pobreza, a desigualdade, os problemas ambientais e que até admitem que os salários são baixos». «Mas que responsabilidade tiveram na situação a que o País chegou? Quem conduziu o País a esta situação, com a aceitação da subordinação do poder político ao poder económico e dos tantos processos ruinosos de privatizações?», questionou. «Quem tem responsabilidade por tudo isto senão os partidos que têm assegurado a governação e que têm os seus candidatos nestas eleições. Não vale a pena lamentar as consequências daquilo que se criou», acusou.




