- Nº 2720 (2026/01/15)A saúde foi o tema principal do debate quinzenal com o primeiro-ministro no dia 8. Se o Governo insiste em iludir o País, a bancada comunista recordou Luís Montenegro do verdadeiro estado do SNS.
Lusa
«O seu é um governo ao serviço do negócio», assegurou Paulo Raimundo, dirigindo-se ao primeiro ministro e exemplificando com a venda do SNS ao negócio da doença.
«Urgências e maternidades fechadas, consultas atrasadas, o INEM e o socorro no estado em que estão. Hoje, tudo se vai agravando com as consequências desastrosas e trágicas que estão à vista», afirmou, numa semana onde se registaram três mortes ocorridas enquanto o doente espera pelo socorro.
O Secretário-Geral frisou, igualmente, que não valia a pena Luís Montenegro esforçar-se com anúncios vazios, como o da aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, quando o problema é mais profundo e estrutural: «É que as ambulâncias não andam sozinhas, é preciso gente para as transportar, são precisos técnicos para as operar».
«Um dia de lucros dos maiores grupos económicos no nosso País dava para comprar não 275, mas 600 ambulâncias por dia!», destacou.
«Pacote da dignidade»
Paulo Raimundo assinalou outras áreas que tomam um caminho negativo graças às opções do Governo, que insiste em falar da realidade não como ela é, mas «como o primeiro-ministro a pinta».
«O problema dos trabalhadores, da juventude e do povo não é falta de mentalidade “positiva” e “vencedora”, o problema são os salários baixos, a precariedade, os contratos a prazo, os falsos recibos verdes e não conseguir aceder à habitação», afirmou.
O dirigente comunista sugeriu, por isso, que o primeiro-ministro retirasse o pacote laboral e apostasse, antes, num «pacote da dignidade» que assegurasse rendimentos, estabilidade e condições de vida.