Em Coimbra para resgatar os valores de Abril
O comício que iniciou a série de momentos que encerraram a primeira semana oficial de campanha realizou-se em Coimbra, na passada sexta-feira. No auditório do IPDJ, perante centenas de apoiantes, António Filipe afirmou que «se o debate não for em torno dos problemas reais, então não é sobre nada».
«Coimbra é muitas coisas ao mesmo tempo»
«Onde fores no teu sonho / Quero ir contigo (…) Venham altas montanhas / Ventos do mar.» Os versos da balada “Menino de Oiro”, musicada por José Afonso, fazem-nos imaginar um outro lugar, condizente com as expectativas daqueles que ousam sonhar. Talvez por isso tenham Catarina Moura, Luís Pedro Madeira e Manuel Pires Rocha optado por este tema para abrir um momento musical que seria uma viagem à resistência e à cultura popular, sem nunca esquecer os horizontes de futuro. Outro momento que emocionou as centenas de apoiantes presentes foi a sentida interpretação do «Hino de Caxias», sinónimo da resistência antifascista e dos brutais custos humanos que esta implicou, canção que invariavelmente é sempre acompanhada por um enorme coro, quando tocada junto daqueles que sabem quanto custou a liberdade.
Após este momento musical, a jovem Lara Leal passou a palavra a Vera Ferreira, mandatária distrital da candidatura de António Filipe. Num tempo em «que se tenta convencer o País de que não há alternativas», de que a «dependência externa é uma inevitabilidade» e que a «autodeterminação dos povos é uma quimera», importa lembrar a história do nosso povo, que não só prova o contrário destas afirmações, como «afirma que não estamos condenados» e que o povo tem, em si, todo o potencial para transformar o futuro. Esta candidatura afirma algo «muito simples» mas que, hoje em dia, «é algo subversivo», afirma que o Presidente tem de cumprir e fazer cumprir a Constituição, de que o Presidente não pode ser cúmplice de uma política de destruição nacional, de que aquilo que importa quando «a democracia é atacada» é «ser espaço de resistência».
«Coimbra é muitas coisas ao mesmo tempo», é universidade, trabalho precário, cultura, indústria, agricultura e muito mais. Também aqui, aquilo que caracteriza quem se une em torno desta candidatura é a «partilha da recusa da resignação».
Falando sobre a investigação e no mundo da Ciência, Vera Ferreira descreveu a vida de milhares de investigadores que se confrontam com a precariedade enquanto uma inevitabilidade, num caminho que faz com que «o País perca conhecimento, capacidade crítica e autonomia» e desperdice futuro.
Já António Filipe focou a sua intervenção na defesa da Escola Pública e da Cultura, afirmando que «para nós, a cultura não pode ser um mero adorno, é parte integrante da democracia».




