Salas cheias em Gaia e em Lisboa dão mais força para continuar
No passado fim-de-semana, dias 10 e 11, realizaram-se dois enormes comícios de apoio à candidatura de António Filipe, que contaram, entre eles, com a participação de milhares de apoiantes. Tanto em Gaia, como em Lisboa, deu-se o mote para os dias que faltam nesta exigente campanha, de rosto erguido e com confiança no futuro.
«expressão de uma vontade de mudança»
Um mais a norte e outro mais a sul, em ambos, a mesma coragem daqueles que sabem que estão do lado certo, do lado de Abril e do cumprimento da Constituição. Nestes dois momentos ouviram-se intervenções de Sofia Lisboa, Paulo Raimundo e António Filipe.
«Falar da Constituição não é falar de abstracções jurídicas, mas das vidas das pessoas», afirmou a mandatária nacional. Lembrando uma antiga afirmação do candidato, em que relatou que «com o 25 de Abril», a sua vida tinha «passado a ser a cores», a investigadora disse que esta afirmação, mais do que uma metáfora, corresponde a um sentimento vivido por milhões de portugueses, a «passagem do medo para a possibilidade».
Nesta candidatura «há uma luta que a antecede e que, depois dela, prosseguirá». É este sentido de combate pela construção da alternativa política que faz com que quem a integra «não guarde o voto» para si, mas o afirme orgulhosamente.
O Secretário-Geral do PCP agradeceu a António Filipe por este «trazer a esta campanha eleitoral a vida da maioria» e por «dar a possibilidade a tanta gente de ter em quem confiar e em quem poder votar». O dirigente comunista afirmou que António Filipe não é só o candidato da Constituição num sentido geral, ele é, verdadeiramente, o candidato de todos os seus artigos. O candidato do artigo 104, «incompatível com o desmantelamento em curso do SNS»; do artigo 65, «em confronto todos os dias com os despejos e o caminho da especulação», e do artigo 7, «da paz e da cooperação entre todos os povos do mundo».
Paulo Raimundo aproveitou ainda para combater a narrativa do voto útil, apelando a que «cada um se liberte das mentiras e ilusões» e que «leve a sua vida e sua força a votos».
É a nossa candidatura
Desde a apresentação que a candidatura de António Filipe veio alterar o paradigma das eleições. Como afirmou o próprio, até esse momento existia uma «natural inquietação» com a «ausência de uma candidatura de esquerda». Foi a sua candidatura, afirmou ainda o candidato, que rompeu com esta realidade, ao constituir alternativa face ao «consenso neoliberal» que caracteriza os diferentes bastiões do capital para estas eleições. «Estão juntos na submissão à UE», no «corte dos salários» e nos ataques aos direitos, estão alinhados «para discutir o acessório» como forma de «esconder que estão de acordo no essencial».
O Presidente não se pode conformar com o actual estado de coisas, ainda para mais quando tem, do seu lado, uma importante arma, uma «Constituição que não é neutra», pois «nasceu da Revolução», acrescentou António Filipe. Só uma pessoa que entenda e defensa o alcance real e os objectivos de fundo deste importante documento pode contribuir para uma necessária inversão de marcha ao saque, destruição e empobrecimento do País. É esta inversão que a candidatura de António Filipe representa, exigindo «um novo rumo para o País».
Com a direita no controlo de todos os órgãos de soberania, perante uma política de ataque aos direitos consagrados na Constituição e tão «gritantes injustiças e desigualdades, impõe-se que haja uma candidatura que entre o poder económico e os interesses de quem trabalha, se assuma
como a candidatura dos trabalhadores e dos jovens. É esta essa candidatura», acrescentou António Filipe.
Todos os votos nesta candidatura darão «expressão de uma vontade de mudança», vontade real e não acessória, profunda e não superficial, radical pois compreende que, no quadro actual, retomar o caminho de Abril, para além de uma exigência, é, verdadeiramente, romper com aquilo que existe.
O candidato dos trabalhadores
Entre os apoiantes de António Filipe ligados ao mundo do trabalho contam-se o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, assim como os antigos coordenadores e secretários-gerais Armando Teixeira da Silva, Manuel Carvalho da Silva, Arménio Carlos e Isabel Camarinha.
Em Gaia, com «firmeza nas vozes e pernas»
Junto à Ponte D. Luís, com o Douro e a cidade do Porto nos horizontes próximos, dezenas de jovens juntavam-se, no principio da tarde, para um desfile que preencheria as ruas de Gaia com o ânimo e força característicos da juventude. Paulo Raimundo, Sofia Lisboa e António Filipe juntaram-se já perto da Herança Magna.
Chegados ao local, verificava-se a impressionante mobilização que apenas viria a escalar nos minutos seguintes, com a sala principal da Herança Magna completamente apinhada, mas também a sala adjacente muito bem composta com muitos apoiantes que foram chegando nos momentos iniciais do comício.
O Colectivo Coral do Porto iniciou a tarde, musicando alguns poemas da obra “Os Poemas Possíveis” de José Saramago, e encerrando a actuação com uma reflexão sobre a firmeza e a sua importância, deixando claro que são «precisas as costas direitas».
A primeira intervenção coube a Matilde Geada. A jovem estudante e dirigente associativa terá a oportunidade de votar pela primeira vez no próximo dia 18, partindo para a urna sem qualquer dúvida do quadro onde viverá a sua cruz. Os jovens estão confrontados com «dois mundos em confronto», entre as dificuldades por eles sentidas e a intensificação do crescimento dos lucros. Face a este cenário, exigem um «Presidente que não se conforme com as políticas que colocam em causa os direitos». Este é um voto «que dá orgulho», o único que «nega que os jovens sejam carne para canhão» nas aventuras dos «senhores da guerra».
De seguida, o dirigente sindical Miguel Ângelo Pinto entregou o apoio de 2022 membros de ORT a António Filipe, comprovando mais uma vez a correspondência entre as linhas orientadoras desta candidatura e os interesses dos trabalhadores. Já Silvestre Lacerda, mandatário distrital, lembrou várias da datas históricas do património de luta do nosso povo. Lembrou o 31 de Janeiro e o 5 de Outubro, como datas importantes para a unidade entre democratas, mas também o próprio dia 18 de Janeiro, data das eleições, e o dia da apresentação da candidatura, o 14 de Julho. António Filipe não é apenas o candidato que carrega todo este património, é também aquele que apresenta um rumo de futuro, um futuro «sem duas caras», «com um punho erguido e «firmeza nas vozes e nas pernas».
Lisboa dá força para chegar a quem falta
O Pavilhão do Casal Vistoso, casa habitual de uma dezena de equipas de basquetebol e futsal da cidade de Lisboa, viveu um domingo diferente, com a substituição dos habituais eventos desportivos por um vibrante comício de apoio à candidatura de António Filipe às eleições presidenciais, acolhendo mais 1500 pessoas.
Já com as bancadas plenamente preenchidas, assim como a quadra normalmente destinada a atletas coberta por cadeiras e pelo palco, o momento de chegada do candidato ficou marcado por uma enorme expressão de alegria e euforia, sintomática da satisfação dos presentes com a opção que tomaram no apoio desta candidatura.
Rogério Charraz e Sérgio Charrinho tocaram temas do seu projecto “O Coreto”, trazendo para o centro de Lisboa algumas histórias de resistência, assim como um pouco da alma alentejana. Antes de cantar a história da resistente antifascista Aurora Rodrigues, lembrando as suas pétalas de flor feitas com o miolo do pão durante as duras noites de tortura, o duo tocou o “Fado da casa do professor”, que conta a história de um apartamento que vê, em cadeia, a sucessão de professores deslocados a passar por si, sem deixar raízes, numa história que elucida o presente de precariedade que marca a profissão.
Sofia Lisboa, incumbida de apresentar o momento político, passou, de seguida, a palavra a Amélia Saraiva, após uma breve intervenção. A jovem estudante e dirigente associativa focou a sua intervenção nos problemas dos estudantes do ensino superior, assim como a recente conquista traduzida no impedimento do aumento das propinas preparado pelo Governo. Amélia, como muitos outros, destacou a sua confiança no «candidato que conhece os problemas que assolam o dia-a-dia dos jovens», o único que se «assume como elemento de ruptura» com a política que os causa.
Francisco Lucas Mendes acredita que «Portugal merece mais», merece um «Presidente que esteja ao lado do povo». António Filipe «não é um produto das televisões» nem um «refém dos interesses económicos», é, sim, parte integrante dos muitos que recusam o caminho de submissão nacional e destruição dos serviços públicos. Na sua intervenção, o produtor musical frisou ainda a importância de «levar esta mensagem às ruas», num esforço de alargamento desta candidatura até ao próximo domingo.




