- Nº 2720 (2026/01/15)O acordo UE-Mercosul está a gerar forte contestação, com críticas do PCP e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que alertam para os impactos negativos na agricultura, nos rendimentos dos agricultores e na soberania alimentar.
Lusa
Segundo João Oliveira, esta liberalização colocará em risco milhares de explorações familiares, fragilizará os rendimentos dos agricultores, acelerará o abandono da produção e agravará a dependência alimentar do País. O deputado criticou ainda o processo de aprovação do acordo, que considera ter sido deliberadamente afastado do escrutínio dos parlamentos nacionais, reduzindo a transparência e o controlo democrático sobre um instrumento com impactos profundos na economia e na vida das populações.
Por último, reafirmou a defesa da diversificação das relações económicas, sublinhando que esta deve assentar na cooperação e em vantagens mútuas, e não na submissão aos interesses das grandes potências. Expressou também solidariedade com as mobilizações contra o acordo, em Portugal, noutros países da UE e na América Latina, garantindo que o PCP continuará a opor-se à sua ratificação no PE.
Perda de soberania alimentar
No início da semana, a CNA voltou a condenar o acordo UE-Mercosul, sublinhando que este compromete o direito da população a uma alimentação saudável e sustentável, ao incentivar modelos de produção intensivos e desregulados. A Confederação acusa o Governo PSD/CDS de ignorar o papel dos agricultores familiares na coesão territorial, na preservação de raças autóctones, na dinamização das economias locais e na prevenção de incêndios, reafirmando que continuará a mobilizar-se contra a ratificação do acordo e a exigir uma política comercial que valorize a produção nacional e quem trabalha a terra.