A luta pela paz é imperativa
Os EUA dizem ao que vão, como e porquê
A agressão militar dos EUA à República Bolivariana da Venezuela e o sequestro do seu Presidente, Nicolás Maduro, e da deputada Cilia Flores, para além de inaceitável à luz da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, são a cabal prova de que a administração Trump não olha a meios para impor a hegemonia do imperialismo norte-americano. Apesar de, mediaticamente, ter sido construída, ao longo dos últimos meses, uma narrativa em torno do falso “combate ao narcotráfico” e, ao longo de todo o processo bolivariano, da existência de uma pretensa “ditadura” e “violação de direitos humanos”, como pretexto para levar à aceitação de qualquer intervenção, assistimos pela primeira vez à afirmação clara e contundente, por parte de uma administração norte-americana, de que o interesse dos EUA são as riquezas daquele país, particularmente o petróleo.
Abertamente, os EUA, pela boca da sinistra figura que é Trump, dizem ao que vão, como e porquê. De forma desconcertante para alguns, é escancarado o modus operandi do imperialismo ao longo de décadas, pondo a descoberto a sua política de guerra e saque, que não responde a qualquer regra a não ser a do seu interesse. O fomento de relações internacionais baseadas no temor e domínio leva o mundo a esperar tudo, com a ideia de quem poderá ser a seguir...
Foram várias as ameaças que os EUA fizeram nos últimos dias. Não só aos países da América Latina, como Cuba, Colômbia, México ou Nicarágua, mas também à Gronelândia ou ao Irão – ou seja, a todos os países e povos que não se subjugam aos ditames do imperialismo norte-americano, assim como a todos os que procuram defender a sua soberania e independência e diversificar as suas relações políticas, comerciais e económicas, particularmente com a China, sem as amarras do dólar.
Na América Latina, têm sido corajosas as posições da Colômbia e México, que condenando a agressão à Venezuela se recusam a ceder ao imperialismo mesmo sob contínuas ameaças. Cuba, que comemora 67 anos da sua Revolução socialista e é fustigada por um feroz e criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro imposto unilateralmente pelos EUA, é apontada pela administração Trump como um dos próximos alvos a abater. Não é que aquele país tenha grandes riquezas naturais, mas tem algo que o imperialismo não perdoa: um povo que tomou nas suas mãos o seu destino e heroicamente tem defendido a sua Revolução e resistido a quase 67 anos de contínua agressão por parte dos EUA.
Já o Irão, país que, como a Venezuela, tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo e que joga um importante papel no Médio Oriente contra a hegemonia do imperialismo norte-americano, tem sido ao longo de décadas alvo de ingerência e agressão por parte dos EUA, sempre apoiados por Israel. Os últimos acontecimentos, explorados pelos média até à exaustão, são expressão da ingerência do imperialismo, que, a partir das dificuldades que o povo atravessa, que também são fruto das sanções económicas impostas ao Irão, procura a desestabilização deste país e um pretexto para uma nova agressão militar. A ameaça é séria, como séria é a possibilidade dos EUA arrastarem a Humanidade para uma catástrofe.
Neste contexto, a solidariedade com todos os povos vitimas de agressão do imperialismo (não esquecemos o genocídio silenciado, mas em curso, na Palestina) e a luta pela paz tornam-se imperativas. Perante a barbárie, a luta pela Paz e a solidariedade prevalecerão.




