As mortes ocorridas na Península de Setúbal têm responsabilidades políticas
A morte numa mesma semana, na Península de Setúbal, de duas pessoas por evidentes carências e atrasos dos meios de socorro motivou a edição de um comunicado por parte da Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP (DORS). Exigindo um cabal esclarecimento dos dois casos e manifestando a sua solidariedade às famílias enlutadas, o Partido chama a atenção para quatro questões.
A primeira prende-se com a «degradação do direito das populações à saúde, promovida ao longo de décadas por governos do PS e do PSD e CDS», cujas consequências se sentem da medicina preventiva à prestação de socorro e ao atendimento hospitalar. Outra questão prende-se com as dificuldades sentidas pelos bombeiros para cumprirem as suas missões. «O Governo, que entretanto tem assegurado meios infindáveis para garantir borlas fiscais às grandes empresas e para gastar dinheiro em armas para prosseguir a guerra, arrasta as respostas que são necessárias para que as corporações dos bombeiros prestem todas as missões de que estão incumbidos, seja no plano dos meios humanos, seja no plano dos meios materiais», denuncia a DORS.
A escassez de meios de socorro – e esta é a terceira questão apontada pelos comunistas – decorre da «asfixia a que os sucessivos governos têm votado as corporações, sendo por isso responsabilidade directa desses governos». As suas consequências só não são mais graves pelo «esforço, dedicação e abnegação» das Associações Humanitárias de Bombeiros e dos próprios Bombeiros.
Por último, o PCP sublinha que as duas situações verificadas na Península de Setúbal expõem ainda mais a falta que faz o Hospital no Seixal, que servirá as populações deste concelho, mas também de Sesimbra, e que não só permitirá desafogar os hospitais de referência – Garcia de Orta, em Almada, e o de São Sebastião, em Setúbal – como agilizar o serviço dos bombeiros na zona.




